A DAMA DO ATRASO

“Um salve para os jovens que querem mudar o Brasil”
Coluna Semanal de Eduardo Fagnani, membro do Plataforma Política Social, para a Revista Vaidapé.
 
 A Dama do Atraso
 
Nos anos de 1970, Margareth Thatcher era uma jovem que queria mudar o mundo. O problema é que ela queria mudar para pior. E conseguiu!
A “dama de ferro” procurou enterrar os valores humanistas e igualitários que iluminaram o mundo entre 1945 e 1975. Esses chamados “anos gloriosos” foram inspirados pela “Declaração Universal dos Direitos Humanos” (ONU/1948), que assegurava a cidadania civil, política e social para todos os indivíduos. O Estado regulava o mercado. Direitos trabalhistas e sindicais foram ampliados. Os regimes do Estado de Bem-Estar Social foram consolidados, ampliando a oferta de bens e serviços públicos, universais e gratuitos nas áreas de previdência, saúde, assistência sociais, proteção ao trabalhador desempregado e educação. A economia buscava o pleno emprego e assegurar renda e prosperidade para os trabalhadores. A política e a democracia preponderavam sobre os interesses financeiros e os valores individuais. Na Europa, o resultado dessa experiência de capitalismo regulado foi a melhoria do bem-estar da sociedade, redução da desigualdade social e elevação dos padrões civilizatórios.
Thatcher opôs-se ferozmente a esse ideário. Junto com Ronald Reagan (então presidente dos EUA) capitaneou a contra ofensiva global em favor dos valores neoliberais e ultraconservadoras. A política e a democracia foram desvalorizadas. A lógica da ação coletiva perdeu espaço para o individualismo: “não existe a sociedade, mas apenas indivíduos, homens e mulheres”, afirmou Thatcher em 1987.
Os interesses do mercado (leia-se, do grande capital) prevaleceram ante os interesses da sociedade. A crença no “livre comércio” fez com que os Estados nacionais perdessem força e deixassem de regular os mercados globalizados em sua busca frenética e selvagem pelo lucro a qualquer preço.
Direitos trabalhistas e sindicais foram suprimidos em favor de contratos “flexíveis” e terceirizações.  As ofensivas contra o Estado de Bem-Estar foram constantes. O individuo tinha de se livrar do “paternalismo estatal” e cuidar de si próprio. Os valores do Estado de Bem-Estar Social foram substituídos pelos valores do “Estado Mínimo”. Para os neoliberais, o Estado só deve cuidar dos “mais pobres dentre os pobres” (quem recebe menos de 2 US$ por dia). Os “ricos” – aqueles que estão acima desta “linha de pobreza” – devem recorrer aos mercados privados para ter acesso à saúde, educação, previdência e demais serviços básicos – outrora públicos, universais e gratuitos.
A economia priorizava o ajuste fiscal, gerando desemprego, queda da renda, aumento da desigualdade social e da pobreza. Durante os 11 anos que governou a Inglaterra, a pobreza mais que dobrou, atingindo um quarto da população em 1990.
As ideias liberais e ultraconservadoras da “dama de ferro” passaram a ser hegemônicas no mundo a partir da década de 1980 e exerceram grande influência sobre os rumos trilhados pela sociedade brasileira desde então. Hoje, essa visão continua hegemônica no Brasil, sendo abraçada por grande parte de intelectuais, parlamentares, jornalistas e formadores de opinião.
Se você quer mudar o Brasil, um bom começo é estudar criticamente esses dois paradigmas (ideológicos, políticos e econômicos) que estão em disputa aqui e no mundo. Estado ou mercado? Liberalismo ou desenvolvimentismo?
Até a próxima semana!
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