O que queremos?

Por Paulo Motoryncolaborador da Revista Vaidapé, estudante de Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP).

Fotos por Arthur Lopes. [http://www.flickr.com/photos/tucaphoto/9037733475/in/set-72157633991645195/lightbox/]

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Desde o ato da última quinta-feira contra o aumento da passagem do transporte público em São Paulo, em que a violência e a repressão policial viraram notícia em todo o planeta, mais uma ameaça ronda o sucesso das manifestações organizadas pelo Movimento Passe Livre: a instrumentalização do povo.

A evidente mudança de postura da imprensa em relação aos protestos deve ser motivo de desconfiança, não de festa. Isso porque nos últimos dias, imperou o comentário: “Agora até a grande mídia defende as manifestações”. Como se isso fosse algo positivo.

Por um lado, a máxima “não é só pelos 20 centavos” conseguiu convencer diversos setores da população a ir às ruas, por outro, abriu uma questão polêmica: se o aumento da passagem foi só o estopim, o que mais nos incomoda? Quais são os reais motivos do fim da letargia política em São Paulo?

É fato, o reajuste do preço transporte só provocou a revolta necessária para que o paulistano percebesse o óbvio: política se faz nas ruas. No entanto, a recusa ao modelo de sociedade atual tem de ser deixada clara. Isso porque os perigos da apropriação do movimento são reais.

Na sua última edição, Veja contrariou sua linha editorial e se posicionou a favor das manifestações. Quando um veículo que representa o que há de mais reacionário na sociedade apoia movimentos sociais, há no mínimo um ponto de extrema relevância para refletir.

Mas as páginas de Veja só revelam a nova postura dos veículos da imprensa dominante: já que não podem mais controlar ou evitar a multidão, manipulam seus objetivos. De acordo com a revista, o descontentamento dos manifestantes se deve também à corrupção, à criminalidade… Falácia.

É evidente que essas questões também são importantes, mas os jovens que estão nas ruas estão preocupados com questões muito mais profundas. A juventude está mostrando que não quer compartilhar dos valores individualistas, consumistas e utilitaristas da geração de seus pais.

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O grito dos jovens está longe de bradar contra os “mensaleiros”, contra a inflação, contra as políticas sociais de transferência de renda. O movimento é progressista por natureza e agora tem de saber lidar com uma ameaça feroz: a direitizacão.

O aparelho midiático que serve a esses interesses já foi acionado. A grande imprensa já está mobilizada para maquiar o movimento de acordo com um ideário conservador, por isso o povo precisa fazer seu recado ser entendido. Sob hipótese nenhuma podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés.

O que queremos é derrubar as barreiras entre ricos e pobres, quebrar os muros entre centro e periferia, consolidar o povo como um ator político de importância ímpar e lutar por um Brasil com justiça social, sem desigualdade e com oportunidades iguais para todos e todas. Nada mais. E nada menos.

Vamos à luta!

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34 responses to “O que queremos?

  1. Pingback: O QUE QUEREMOS! | Diálogo Frágil·

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  7. Pingback: O telejornalismo pelo bom-mocismo | Óperas de Sabão·

  8. Importante divulgar o (assunto do) texto durante os protestos.
    O que me preocupa com a geração atual de jovens (tenho uma filha de 11 e outra de 16 anos) é que eles não viram os governos anteriores, muito menos a direita e a ditadura de antes, e por isso não tem base de comparação (a não ser que a busquem). Digo mais, nossa democracia é muito recente. Só há 24 anos temos eleições diretas, e só há 12 anos temos um governo popular que realmente se importa com todos. A direita, elitista , privatista, liberalista, brasileira está latejando por poder, qualquer bobeira é ouro pra eles.
    Com relação ao que o Bayer escreve só tenho a lamentar.
    Todas as estatísticas de corrupção indicam que o partido dos trabalhadores é um dos menos corruptos (p.ex.http://www.brasil247.com/pt/247/poder/52462/), que no governo do PT escândalos foram e continuam sendo investigados, que a PF finalmente apareceu, coisa que antes não existia. A percepção (foi nela que vc caiu) é que a corrupção está endêmica. Eu falaria que as transparências e investigações finalmente acontecem no Brasil.

  9. Não se trata de vinte centavos em uma passagem. São dez anos de corrupção sem os responsáveis punidos, são os mais variados escândalos, são os gastos absurdos da Copa, são os preços que aumentam enquanto as pessoas perdem o poder aquisitivo…
    A inflação é a gota d’água num balde de indignação e inconformismo NACIONAL que transbordou depois dessa década de abuso. A conta chegou agora e não adianta fingir desconhecer quem deve pagá-la. Aceitem a responsabilidade por tudo isso, pois parece estar acabando a “década do migué”.
    Enfim, temos uma juventude corajosa e sem rabo preso com o partido do governo (até mesmo por memória afetiva de tempos colegiais). Os jovens-velhos que passaram esses anos todos encobrindo as mutretas não sabem o que fazer. E isso é ótimo. O Brasil de fato precisava. E Não venham me dizer: Onde você estava antes destes 10 anos? Não sabia que antes já havia corrupção? É claro que havia! Mas ela nunca foi tão endêmica do que sob este governo que institucionalizou a corrupção

  10. Noto que, até agora, as ditas lideranças de um movimento supostamente sem líderes não vieram a público para condenar o vandalismo. E não vêm por cálculo. Enquanto essa suposta “maioria pacífica” puder contar com os ditos “radicais” como seus aliados objetivos, sempre poderá posar de moderados, ainda que rasgando a Constituição, sob o aplauso quase unânime da imprensa.

    A mesma imprensa que está tendo de se esconder para não apanhar. Ou eles batem, ameaçam, metem fogo.

    Isso é fascismo destrambelhado, não democracia!

  11. Pingback: “Não podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés” | Olhando por aí·

  12. Não se iludam, minhas caras, meus caros! Se vocês querem uma sociedade democrática, pluralista, aberta, que se oriente segundo os parâmetros da representatividade, o Movimento Passe Livre e seus métodos de luta caminham em sentido contrário. Quem transforma saqueadores e depredadores em “revoltosos sociais” quer ditadura, não democracia.

  13. Pingback: “Não podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés” | Primeiro Conceito·

  14. Quando os movimentos surgiram, e tendo em vista que as Eleições 2014 já haviam anteriormente começado, eu analisei que tornar-se-iam massa de manobra para a Globo, Veja, Estadão e Folha atacarem a Dilma e o Haddad desde a primeira hora – uma vez que o ambiente de “baderna” era propício para uma campanha de desqualificação de ambas as gestões do PT – mas, olhem que surpreendente, tais conglomerados midiáticos optaram por atacar o povo! Quando perceberam o erro de avaliação (pegou mal lá no exterior a ordem de “descer a lenha”), iniciaram-se os rearranjos ideológicos, mas aí boa parte da população percebeu o embuste e, agora, está dispensando bajulações. Todos – imprensa golpista, governo, prefeitura, polícia – se insurgiram contra nós naquele momento, algo bastante grave e que nunca, jamais, devemos esquecer, tamanha a covardia que foi. Que fique gravada na história desse país aquela vergonhosa coação e, por agora em nossas inquietas mentes fotografado aquele infamante opróbrio, pois vamos necessitar desse estado de espírito libertador nos próximos dias para darmos prosseguimento à luta.

  15. A obra é maior do que o seu criador.
    O movimento só ganhou força por causa desses que protestam contra corrupção e outras “falácias”.
    a verdade, o povo se apropriou do movimento. Não pertence à mídia e nem aos seus criadores.

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  20. Tenho a impressão que o autor é quem tenta “manipular” a direção dos movimentos. “Progressista por natureza” é a maneira que o Paulo Motoryn gostaria que fossem. “Derrubar as barreiras entre ricos e pobres” é um discurso muito socialista utópico. Não vejo dessa maneira. Acho que o povo está, sim, insatisfeito com a corrupção, o sucateamento da saúde e a falta de segurança.

  21. Pingback: - Coletivo Foque·

  22. Pingback: ‘Não podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés’ - Coletivo Foque·

  23. Caro Paulo Motoryn,
    Concordo com os riscos da instrumentalização e apropriação dos movimentos populares, até porque a nossa história atesta isso.
    Que o movimento deflagrado pelos jovens é progressista, também concordo, mas tem raízes onde? Considerar que a ruptura com o passado validare dá consistência à nova ordem pretendida, é exagero, pois nem sempre o vigor físico, empolgação e ideário juvenis trazem os melhores resultados. Não dá para escrever o futuro sem entender o passado.
    Colocar o povo como ator político é um recurso de linguagem se não ingênuo, mera retórica.
    “Depurar” o movimento e criar um cenário com justiça e oportunidades iguais é desejo da maioria, mas nem tudo nasce do entusiasmo, do envolvimento, da ideia, previsível como um filme.
    Conquista real é aquela em que cada ator entende e desempenha o seu papel na trama e saiba como é o filme inteiro.

  24. Pingback: Matéria Incógnita – Inovação e Criatividade » Globo e velha mídia tentam se apoderar do movimento popular·

  25. Pingback: “Não podemos nos alinhar aos Jabores e Datenas” | Africas·

  26. Entendi, então ser revolucionário é ser filinho de publicitário com irmão morando em NY entendi…
    Salam Aleikum

  27. Pingback: O desespero do MPL | Blog do MV·

  28. Pingback: ‘Não podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés’ - Nerd Militante·

  29. Carta à Patria amada

    Cidadãos do Brasil uni-vos!

    Somos paulistas paulistanos brasileiros, nao é uma questao de classe cor origem, estamos todos unidos lutando de formas e maneiras distintas com um mesmo ideal!

    Reinvindicamos nossos direitos surrupiados pelos politcos governantes deste pais que hoje utiliza-se de politicagem da midia e da forca militar para nos menosprezar e reprimir!

    Como muito se diz o gigante esta acordando, e a primavera esta chegando, apos o longo e escuro inverno no qual vivemos durnte muitas anos, desde os 60 nao se via!

    A semente foi plantada e a ideologia ja desabrochou, esta crescendo desordenadamente mas com um caminho certo, uma mudança em nosso país.

    Queremos a mudança! A voz e vontade é do povo, o governo deve nos atender e dar a todos direitos dingos e universais inalienaveis de ir e vir, viver livremente com livre expresao, uma vida digna, escolaridade, saneamento, saude, e, transporte!

    Como ja foi dito a luta nao é apenas por 20 centavos a luta é muito maior, a reinvindicaçao é por mudanca estrutural imediata na forma com que o governo esta lidando com os problemas nacionais!

    Os tres poderes devem revisar repensar e lembrar que sua funcao é servir seu povo, e prover ao mesmo a melhor qualidade de vida possivel seja ele pobre Ou Rico, branco ou preto, os instruments publicos devem atender de forma eficiente e digna todo brasileiro!

    Nao queremos mais viver na politica do “pão e circo”, ja basta! a maquiagem ja se borrou, e o povo consegue ver a cara feia do governo!

    Lutamos entao para que o povo seja ouvido e decida seu destino! Que o governo promova o bem estar da populaçao e lute por nossos interesses!

    Povo do Brasil, Temos o dever de continuar a lutar por todos nossos direitos e pelo que acreditamos, não vamos mais nos submeter ao livre arbitrio do que deve ser feito pelos politicos ja que Estes nao nos representam devidente! Lembrem-se
    Non Dvcor Dvco!!!

    Lutamos por justica lutamos por saude lutamos por descencia lutamos por um Brasil melhor!

    Espero com esta carta que escrevi onde espresso minha opiniao complementar o artigo do meu querido amigo Paulo Motoryn!
    Parabens à todos os colaboradores pelo trabalho da Revista vai da Pé, parabens de um humilde leitor

    Yugo Mabe Jr

  30. Pingback: ‘Não podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés’ | Portal Diz Ai·

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