A tarifa caiu, o povo venceu.

Por Paulo Motoryn, colaborador da Revista Vaidapé.

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Os protestos que se espalharam pela cidade de São Paulo nas últimas semanas, organizados pelo Movimento Passe Livre, atingiram seu objetivo: a revogação do aumento do preço das passagens do transporte público.

O MPL, muitas vezes desdenhado por uma teórica inviabilidade da tarifa grátis, foi o grande incentivador das manifestações. Deu início aos debates dentro das universidades, foi às ruas, arrastou multidões e colocou o transporte em pauta.

Em um dos debates que os membros do MPL participaram antes de ir às ruas, na PUC, no dia 5 de junho, o professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, colunista da Vaidapé, disse: “São Paulo precisa urgentemente de um movimento social relevante que discuta o transporte público. O MPL deu o primeiro passo”.

Ao lado de Fagnani, estava Caio Martins, militante e um dos porta-vozes do MPL. Contrariado, o estudante deixou claro que o Passe Livre já estava consolidado, que já haviam realizado grandes passeatas na gestão Kassab, que o movimento um dia seria estudado nos cursos de história do Brasil.

Os dois debatedores estavam corretos. São Paulo precisava sim de mais pressão popular na questão do transporte público e o MPL havia sim dado um primeiro – e relevante – passo. Mas é evidente que nem Caio nem Fagnani imaginariam a projeção e a importância que os protestos ganhariam.

Após a realização de seis grandes atos em vias públicas para pressionar os governantes e, principalmente, por ter conseguido a revogação do aumento das passagens, o MPL agora é sim um movimento social de extrema relevância em todo o país.

A mídia tentou se apropriar, o conservadorismo tentou modificar o discurso, a polícia tentou coibir, alguns manifestantes tentaram atrapalhar. Obstáculos não faltaram. A vitória foi suada e deve ser comemorada, porém, tendo em vista que o povo enfim se reconheceu como um ator político, o mais importante começa a partir de agora: o debate.

É preciso debater de onde sairão os recursos para compensar a redução da tarifa, já que Haddad e Alckmin já avisaram que os orçamentos públicos serão afetados e outras pastas sofrerão as consequências.

É preciso debater a direitizacão dos atos nas ruas de São Paulo, que passaram a censurar aqueles que entram na luta política pelos partidos, que passaram a exibir um nacionalismo perigoso e exacerbado, que passaram a levantar bandeiras cada vez mais distantes da inclusão e da eliminação das desigualdades – fundamentos que guiam a luta do MPL.

Para os que tentaram desvirtuar a luta do MPL falando sobre tudo – e nada ao mesmo tempo –, a vitória são os 20 centavos, sim senhor. E, claro, também é a construção da noção de que o povo é senhor de seu próprio destino.

A luta continua.

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