Quem é Batman quando se tem Barbosa?

Por Lucas Abramoestudante de Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e colaborador da Revista Vaidapé.

barbosa

Os movimentos que se deram na cidade de São Paulo tem uma causa clara: Indignação em todos os níveis com a corrupção, e com isso uma clara crise da classe política no Brasil. Porém indignação não fermenta nas pessoas de um dia para outro, para se entender o porque das manifestações é necessário voltar um pouco atrás.

Em 2009 após uma aparente, e efêmera, trégua entre a mídia conservadora e o governo Lula, vimos novas acusações por parte da mídia quando primeiramente Lula teria, supostamente, o projeto de se candidatar à terceira eleição. Passado esse surto “golpista” criado pela mídia, a imprensa conservadora não cansaria de tentar denegrir candidatos de partidos ligados a situação no governo. Esse caso era o começo de uma ofensiva que irá resultar nas manifestações que presenciamos hoje em dia.

O episódio do mensalão é o mais emblemático nessa série de ataques por parte da imprensa. A mídia conservadora tentou adotar um discurso onde os políticos ligados ao PT eram todos corrompidos, especialmente os de esquerda. Isso visto que outros mensalões como o tucano, que era maior e mais antigo que o do PT, ganharam no máximo uma nota de rodapé. Em uma tentativa de desacreditar a classe política dominante, criaram um verdadeiro circo e, mais importante, criaram um verdadeiro monstro. Poder e conhecimento estão intrinsecamente ligados, porém as relações entre eles normalmente não são tão lineares como teorias da conspiração nos levam a crer.

O circo hollywoodiano com vilões, coadjuvantes e um herói estava montado. A postura desse herói: Joaquim Barbosa, sempre me foi um tanto quanto estranha, com discursos inflamados e desrespeito claro com outros Juízes do Supremo, este se tornou o grande protagonista desse show televisivo. Barbosa se tornou o herói moralista, apartidário e contra todos os políticos. Se tornou o salvador da pátria e o caçador incorruptível de políticos, em contraposição de uma classe política degenerada. Estava montada a crise da classe política.

Porque Monstro? Ora, o descontamento dessa figura tão importante, desse “herói”, levam a onda fascista e antipartidária que se instalou nos protestos de hoje, dificilmente algo que seja positivo. Pelo contrário. O “Movimento” se tornou o repúdio total de partidos políticos em plena democracia, com sinais fascistas e violentos e o afastamento da população dessa própria democracia. Além de afastar os partidos, quando deviam participar destes e transformá-los antes de criticá-los veementemente, não percebem que o problema político é estrutural há uns 500 anos no Brasil. Esse momento de insatisfação se torna o cenário ideal para os partidos de direita retomarem cargos importantes no Brasil. Uma direita que, lembremos: Há 10 anos que está em crise sem conseguir emplacar um discurso convincente no Brasil.

Os causadores – uma imprensa de direita – e os beneficiados – partidos de direita – estão do mesmo lado. Em um primeiro momento a imprensa de direita tinha uma clara tendencia em demonizar os partidos de esquerda, demonizando a classe política como um todo e a democracia. Tais ações antipartidárias não trazem uma solução, apenas um desvio do foco do problema. E mais importante: Dão o espaço necessário para que aja uma virada de tabuleiro na política nacional por parte da direita, o último grito desesperado dessa direita que estava falida e pode ser ressuscitada com os novos movimentos sociais, e que atualmente é oposição ao governo.

Oposição que, durante uma eleição, coopta os votos dos insatisfeitos de centro, o grande trunfo de uma eleição. Um exemplo disso é o descontamento recente que levou a derrota do prefeito tucano José Serra no segundo turno em uma cidade como São Paulo, que tem preferências claramente direitistas.

Não adianta também dizer que o movimento é apartidário, pois nas próximas eleições será necessário escolher um novo candidato, e votar nulo dificilmente será um movimento eficiente para transformar o Brasil.

Que fique claro os que estão por trás dessa indignação com a classe política na mídia, não são os Datenas e Marcelos Rezendes, pois estes são os palhaços no circo armado. Mas os editores de Folha, Estadão, Veja e Globo que não tem ideais nobres ou interesses voltados a população por trás dessa ação, mas sim interesses e agendas bem definidos para o beneficio de certas elites da sociedade.

Por fim, não sou contra as manifestações, mas o poder do povo tem que ser usado em benefício dele mesmo. Por favor, não virem massa de manobra para quem nunca deu a mínima para os explorados desse país, para grande massa que é o povo e a periferia.

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3 responses to “Quem é Batman quando se tem Barbosa?

  1. Saudades de quando eu era feliz com a ideia de mocinho e vilão. Hoje, nenhum dos dois existem mais no meu imaginário, em seu lugar dezenas de grupos defendendo seu próprio interesse.
    O mocinho, agora, faz tratamento para seu narcisismo e o vilão passou pelo assistente social e agora é um simples trabalhador comum, ficaram sem sal, sem açúcar e sem mágica.
    Mais divertido que livros com histórias emaranhadas em suspense, filmes que tentam surpreender ou mesmo longas novelas é a própria vida, onde nunca sabemos o que acontece, morremos sem saber claramente as regras e nos entretemos tentando descobrir que está com o anel.

  2. Opinião consistente e coerente. Mas, embora o texto seja muito bacana, precisa de uma revisão gramatical.

    • A internet, além de precisar ser barata, deve ser dinâmica, rápida. Pula-se para isso algumas etapas, como a impressão e a revisão, sendo assim não podemos segurar a notícia com as mão e a lemos sem a revisão gramatical.
      Por mim sem problemas, melhor que o seja, desenhistas, enfermeiros, mecânicos, advogados, pintores e cozinheiros, sem distinção, desde que seus textos sejam inteligíveis estão a ajudar.
      Deixemos a revisão gramatical digna de mestre em língua portuguesa com dissertação tematizada na gramática para as academias e para os documentos oficiais.
      (Até por não ser jornal e livro exemplo de meio de comunicação à prova de erros, mesmo com mais tempo.)

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