Corrigindo erros de apuração: Anonymous e MPL

Por Paulo Motoryn.

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Foto por Gabriela Batista [FotoEnquadro]

Pouco tempo depois que publiquei o texto “A guinada conservadora nos atos do MPL”, na Vaidapé, na última quinta-feira, o grupo Anonymous Brasil negou ter sido responsável por um vídeo que circula pela internet com “as cinco causas” que deveriam ser o mote das manifestações que ocorrem no Brasil após a vitória da redução da tarifa em diversas cidades.

No artigo, eu disse que o Anonymous Brasil simbolizava a mudança de bandeiras que ocorreu no decorrer dos atos promovidos pelo Movimento Passe Livre. Isso porque o grupo concentra toda sua crítica na corrupção – para chegar em tal premissa, somei o vídeo das “cinco causas” com a linha de postagens da página deles no Facebook e com o comportamento dos mascarados na rua – e não parece tão atento às questões sociais gritantes que ainda perduram no Brasil.

O professor Ruy Braga, livre-docente em sociologia na USP, comentou o texto no facebook. Apontou que a luta contra a corrupção não necessariamente é conservadora porque pode almejar mais recursos para gastos públicos, o que é uma pauta evidentemente progressista. Concordo – e deveria ter deixado tal ponto mais claro –, como também acho que não é o que se aplica exatamente ao caso brasileiro, tendo em vista um orçamento sugado de forma gritante pela dívida pública.

Além disso, parto do ponto que a raiz da corrupção é a relação entre o poder econômico e o poder político. Uma saída é o financiamento público de campanhas, que provocaria alteração em tais relações, inibindo a corrupção. Contudo, há um viés moralista adotado nessa bandeira quando a questão não é tratada como um problema inerente ao sistema, mas como prática de certos indivíduos e/ou partidos, criando cada vez mais uma aversão à política em grande parte da população – o que é perigosíssimo.

Em resposta ao sociólogo, Mateus Maia, estudante de direito da USP, observou que a bandeira da luta contra a corrupção, da forma com que está sendo colocada nas recentes manifestações, é conservadora pelo fato de estar aliada ao ufanismo exacerbado, ao anti-partidarismo e ao repentino apoio da grande mídia. Disse também que o novo posicionamento das ruas estava muito mais próximo ao que faziam a UDN e Carlos Lacerda no século passado do que a um pensamento progressista.

É evidente que a questão é delicada. Tão evidente quanto o erro que cometi ao considerar que o vídeo publicado por um mascarado poderia ser um elemento para análise política dos mascarados Anonymous Brasil. Em tempos de tamanha agitação e relevância para a sociedade, a informação mal apurada pode causar estragos. Por isso, lamento e corrijo.

Além disso, é preciso avisar aos colegas jornalistas e blogueiros que compartilharam os últimos textos que publiquei na Vaidapé dizendo que eu era um militante do Movimento Passe Livre – inclusive grandes portais, como o Brasil 247 e a Carta Capital – que isso não é verdade.

Não tenho ideia de onde surgiu a informação. Não tenho contato direito com nenhum dos integrantes do grupo e jamais me identifiquei como membro do MPL. Como o jornalista Leonardo Sakamoto escreveu em seu blog, na semana passada, a cobertura jornalística de um momento histórico tão especial requer calma e responsabilidade. É assim que a Vaidapé pretende fazer um jornalismo de qualidade.

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