Polícia Militar do Rio de Janeiro usa agentes infiltrados nas manifestações

Por Vinícius Pereira, estudante de Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP) e colaborador da Revista Vaidapé.

Não restam dúvidas a respeito do uso de policiais infiltrados nas manifestações no Rio de Janeiro. Filmagens feitas no protesto da segunda-feira, dia 22 de julho, na cidade do Rio de Janeiro, evidenciam a presença dos chamados P-2 e levam a PM a confirmar as suspeitas.

A primeira cena é a da prisão de Bruno Ferreira Telles, acusado de ter jogado coquetéis molotov contra a Tropa de Choque. Na transmissão da Record, o apresentador se assusta com o uso desnecessário que um PM faz de uma arma de choque. A discussão deixou despercebida a ação de um homem de camiseta preta estampada, jeans e tênis claros.

O homem se aproxima com fúria do centro da ação, desfere um chute em um cinegrafista, um golpe na câmera de outro, aparentemente sem motivo ou provocação, e em seguida se afasta enquanto tira a camisa. Outro vídeo mostra a cena de um novo ângulo.

A segunda cena, gravada pela Polícia Militar, é a de um suposto manifestante atirando um coquetel molotov em direção à PM. O homem veste também uma camisa preta estampada, calça jeans e tênis claros.

P2
Imagem: Keima Fotografia

A terceira cena mostra dois homens de camisa preta estampada, calça jeans e tênis claros sendo abordados por policiais. Recebem ordens para se deitarem no chão, mas não obedeceme agem se estivesse havendo um mal entendido. Em seguida, um policial fardado se aproxima diz algo para os policiais que tentam abordar os dois homens. Os policiais então deixam os homens seguirem. Em outro vídeo, é possível vê-los se integrando a um batalhão da PM. Nesse momento fica claro que se tratam de policiais infiltrados.

Um dos homens, com a camiseta no pescoço, é claramente aquele que agrediu gratuitamente os cinegrafistas durante a prisão de Bruno. O outro é suspeito de ser o homem que lançou o coquetel molotov, como acusam alguns vídeos que circulam na internet.

A ação de policiais infiltrados é por muitos considerada um recurso de controle e espionagem e agitação característico de regimes autoritários. Outros julgam necessário esse tipo de ação, que pode ajudar a identificar criminosos e coibir delitos. Entretanto, a postura violenta desses agentes, que fica evidente no primeiro vídeo, só não é mais preocupante do que a suspeita de que eles estejam agindo de forma a incitar a violência e justificar os abusos cometidos pela Polícia Militar.

Durante a produção desta matéria, a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Rio de Janeiro divulgou uma nota de esclarecimento em que admite a ação de Agentes de Inteligência, mas diz que eles “trabalham apenas com a observação” e que as suspeitas de que um desses agentes tenha jogado um coquetel molotov contra os policias “é algo que ultrapassa os limites do bom-senso e revela uma trama sórdida para justificar a violência criminosa desses vândalos.”

Bruno chegou a ser encaminhado para presídio Bangu I na manha de terça-feira, mas foi beneficiado por um habeas corpus, já que não foi encontrado em sua posse nenhum material explosivo e também não foram apresentadas quaisquer provas contra ele.

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