Vaidapé e Estéticas das Periferias: Pela Democracia Cultural

Por Paulo Motoryn

Os grandes veículos de comunicação vivem uma crise nas suas editorias de cultura. Cada vez mais engessados pelas assessorias de imprensa, cada vez mais acomodados pela simples republicação de releases, e cada vez mais estereotipando a cultura da periferia, os repórteres da área cultural apenas cumprem o papel de consolidar o viés antidemocrático das grandes publicações brasileiras.

Figuras como Lobão, que representam uma visão de mundo simpática aos barões da grande imprensa, são carimbadas e têm lugar cativo nas páginas reservadas ao jornalismo cultural. A cobertura de grandes shows e eventos também tem lá seu espaço, desde que haja uma atração internacional ou exista alguém que agite a classe média paulistana.

A Revista Vaidapé, baseada em seus ideais de quebra dos muros entre periferia e centro e fim das diferenças entre pobres e ricos, desde o seu surgimento, se propôs a retratar a cultura periférica de uma forma diferente: abrindo mão de estereótipos comuns à periferia – que existem aos montes na televisão, como o programa Esquenta, da TV Globo – e mergulhando no desafio de cobrir a arte e a cultura das bordas da metrópole como algo autêntico e relevante.

É a partir de tal visão que a Vaidapé convida os seus leitores a acompanhar a cobertura da terceira edição do Encontro Estéticas das Periferias.

esteticasperiferias

Em parceria com o site Outras Palavras, a Vaidapé será um dos portais oficias do evento, produzindo conteúdo ao vivo, reportagens e material multimídia, entre os dias 27 de agosto e 1 de setembro de 2013.

O evento propõe um olhar crítico às manifestações culturais periféricas: não apenas reunindo e fazendo a difusão de uma quantidade imensa de artistas da maior cidade brasileira, mas promovendo discussões e rodas de conversa sobre a essência da arte e da identidade cultural nos bairros mais afastados de São Paulo.

Duas apresentações de um show exclusivo do músico Criolo, por exemplo, são pouco se comparadas com a grandiosidade da programação do evento, que conta com mais de 150 atrações espalhadas por toda a periferia de São Paulo. Com apoio do governo do Estado, da Prefeitura, de inúmeros centros culturais e coletivos, a ONG Ação Educativa conseguiu fechar a programação com todos os eventos gratuitos.

Confira a programação completa no site do evento, e, acompanhando a Revista Vaidapé, embarque no desafio de entender e prestigiar a cultura de periferia paulistana com a complexidade, a riqueza e o debate necessários para tal.

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