Literatura, internet e selos independentes

Por Marcela Reis

l1

Em debate realizado no CCSP, Xerxenesky e Pellizzari discutiram a literatura na internet (Foto: Marcela Reis)

O livro é um dos instrumentos mais eficazes de difusão literária há séculos e as editoras têm o papel de escolher aquilo que é ou não publicado. Com o atual contexto de massificação da internet e  com o surgimento de selos editoriais independentes, podemos perceber uma reviravolta no cenário. No último sábado, dia 14, um debate que integrou o Mês da Cultura Independente, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, discutiu a questão literária na conjuntura da internet no Centro Cultural São Paulo.

Os debatedores foram Antônio Xerxenesky, autor do romance “Areia nos dentes” (2008), fundador da editora independente Não Editora e editor do site Cosac Naify, e Daniel Pellizzari, autor do romance recém-lançado “Digam a Satã que o recado foi entendido” e um dos fundadores da editora independente Livros do Mal.

O foco da discussão foi a facilidade em criar editoras independentes hoje em dia e a liberdade de criação que essas dão, visto que há menos direcionamento em relação ao que é produzido. Ambos os debatedores criaram editoras independentes para ir na contramão das editoras convencionais e de sua lógica mercadológica, os nomes Não Editora e Livros do Mal comprovam isso. Os autores dizem não escrever para ganhar público ou notoriedade, mas pelo gosto literatura em si.

No entanto, ambos não desmerecem o trabalho das grandes editoras. Xerxenesky aponta que “a principal diferença entre a editora pequena e a editora grande para o autor é que o trabalho de edição na editora grande é profissional num nível extremo”. E completa: “Quando eu fui publicar pela Rocco foram seis meses de guerra extrema, mas amigável. Meu livro de contos saiu com 30 páginas a menos que o original, porque minha editora me convenceu que aquelas páginas eram um lixo e ela tinha completa razão. O autor tem que entender que é preciso ser severo na edição”.

A atual ascensão das plataformas de auto publicação também foi discutida. A facilidade de distribuição de livros pela internet satura o mercado de escritores. Pellizzari não defende o modelo de criação própria, e acredita na criação de um selo independente “porque há a tendência de eliminar a figura do editor, mas seu trabalho é muito importante, enriquece demais a obra. A visão do autor é muito viciada, o editor tem um interesse enorme no livro e um desinteresse em não criticar. A figura do editor é necessária, mais do que nunca”.

A importância do público no processo de criação do livro também foi abordado pelos debatedores. Para Pellizzari lançar um livro sem público e sem uma editora visível não é viável. Em contrapartida, Xerxenesky defende que “não é necessário se preocupar muito com o público e com sua publicação, é importante focar naquilo que você quer de fato escrever”.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s