Selva

Por Ewerton Machado

Foto por André Zuccolo

Foto por André Zuccolo

Vivemos em uma selva com diferentes animais, cada um com seu julgamento pronto e engatilhado, cada um gospe um padrão ético que é o oposto a sua prática moral.

Discursos cheios de alternativas e soluções diferentes, soluções que apenas servem como modelo para outros e outras.

Os modelos mais vendidos são os vazios de propósito e cheio de status, são aqueles modelos que não exigem um questionamento, um assentir submisso já basta.

Existe também a relação conformista com as discussões, o embate através de argumentos é altamente discriminado enquanto soluções violentas são aplaudidas.

Todos querem algo melhor, fazendo as mesmas coisas, seguindo o curso de um rio convencionado a esgotar.

Todos sonham com seus reinos individuais e vassalos a postos, carruagens e castelos, engana-se quem acredita que a idade média passou, no final todos querem reinar, todos querem aprisionar a responsabilidade e admitir seu lado inquisidor.

Também querem um palhaço, alguém que sirva de anedota ambulante, alguém que sirva para ser espezinhado, ultrajado, todos querem alguém para apontar e suprir sua própria necessidade de segmentar e tornar pública sua opinião elitizada.

Todos tem alguma piada sobre alguém diferente, gritam: – “vagabundo”, “bêbado”, “fraco”, entendo que para algumas mentes as relações de poder compreendem conceitos e visões cujo critério é a manutenção conservadora de práticas exploratórias.

A grande piada sou eu, pois ainda não consegui compreender a matemática imposta pelos conglomerados bancários, existem juros mensais que estão acima da inflação e instituições privadas que lucram mais que muitas nações juntas, é claro que alguns sabem essa resposta, de certa forma inventam resposta pra tudo com a exceção de mudanças ou regulamentação nesses setores, é inegável que infligir valores sem uma fiscalização personalizada abre um leque de possibilidades pra quem ergue e ao mesmo tempo derruba.

E utilizando um jargão comum e popular: “A vida é assim mesmo”, mas é triste com tantos avanços tecnológicos, perceber que vida acelera cada vez mais, enquanto conversamos cada vez menos e transformamos menos ainda. Triste é ver que a vida vale menos que nada.

Triste é aceitar que alguém possa dormir na rua, triste é fazer piada sobre isso. Triste é transformar alguém em rótulo social, triste é viver em função das marcas e não em função da vida. Triste é se conformar e perder a esperança, achar que a educação é apenas um meio e não um uma solução. Triste é o padrão, pessoas são diferentes, aprendem coisas diferentes, pensam e fazem coisas diferentes.

De acordo com as mudanças, que acontecem o tempo todo e de muitas maneiras, a relação humana pode experimentar desde grandes conquistas a erros colossais. O que muda é o foco, o ponto de vista, a forma de ver e entender a vida.

Diante da visão deslumbrante de uma selva podemos observar que os acontecimentos impactam seriamente no meio em que se inserem, entretanto, duas alternativas se propõem: 1. Podemos impulsionar nossos pensamentos e ações para encontrar um ponto de equilíbrio e buscar medidas de inclusão e compreensão de múltiplos fatores que envolvem a vida em sociedade ou… 2. Também podemos enveredar pela destruição em massa em função do egoísmo que se estabelece através do comodismo e falta de interesse pelo outro, escolhendo o próprio umbigo como centro único e absoluto, não da selva, mas do universo.

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