Política em Jogo

Jogadores finalmente se mobilizam em prol do futebol brasileiro contra o calendário imposto pela CBF em parceria com a Rede Globo

politico fut

Por Gil Reis

Política. Existe, nesse mundo, algo mais bonito e fascinante do que se aprofundar nesse nebuloso e complexo assunto? Tema que se faz presente diariamente em nossas vidas, sem que possamos perceber concretamente. Tratar de política não é exclusividade dos intelectuais, pensadores consagrados ou de parlamentares. É papel do homem comum, do cidadão, que constrói todos os dias, por meio de atitudes e expressões, a casa onde mora, o bairro onde vive e a cidade que ocupa.

O pré-conceito de que política deve ser feito por político está caindo. Se já não caiu.

Sebastián Eguren

Sebastián Eguren

O novo jogador do Palmeiras, Sebastián Eguren, mostrou que política também é coisa de jogador de futebol. “Muitas vezes, as entrevistas só falam de futebol. Se você me perguntar como foi o jogo, vou te responder sobre o jogo. Isso pode acontecer com outros jogadores. Você pensa que a pessoa não gostaria de falar sobre política, mas ela pode ser capaz.”, ressaltou o novo médio volante da equipe alviverde.

A declaração do palmeirense veio em boa hora. Nesta semana estamos vivendo algo atípico: Jogadores de futebol, sempre estigmatizados e estereotipados como alienados e ignorantes, se organizaram para protestar e reivindicar um novo calendário para o futebol brasileiro.

Entre os mais de 70 jogadores de 21 times que assinaram uma carta de adesão, estão boleiros como Paulo André do Corinthians, Rogerio Ceni do São Paulo, Valdivia do Palmeiras e o meia Alex do Coritiba, que introduziu a discussão após reclamar abertamente do monopólio televisivo do futebol nacional – obviamente controlado pela Rede Globo – que, junto a outros fatores, culmina em um calendário lotado de jogos, poucos dias de férias e pré-temporada e jogadores desgastados (tanto física, quanto psicologicamente).

Alex

Alex

Poucas vezes vimos uma mobilização tão grande por parte de jogadores de futebol. As condições à que estão submetidos, tanto jogadores quanto torcedores – que também sofrem com jogos marcados para as 22h em dias de semana -, são péssimas. Fora isso, também está em discussão o calendário do futebol brasileiro, que é totalmente distinto dos demais, levando em conta os campeonatos da Europa e do mundo.

Isso acaba limitando possibilidades, tendo em vista que, se os calendários fossem estabelecidos de forma conjunta e linear, poderíamos ter jogos internacionais com mais frequência, fazendo com que os times brasileiros e europeus, além de arrecadar mais fundos, ficassem mais próximos, estabelecendo novos tipos de parcerias internacionais.

Essa é apenas uma das milhares de melhorias que seriam promovidas com a mudança do calendário futebolístico brasileiro. E essa mudança vem, claramente, a partir de uma disputa política.

A organização dos jogadores já é por si só um fazer político, mesmo que alguns deles nem tenham noção disso. Fazer política também engloba reivindicar e lutar para que melhorias sejam concedidas, não só para jogadores, mas para torcedores, jornalistas, policiais, ou seja: para qualquer classe ou grupo organizado de indivíduos que tenha reivindicações e argumentos plausíveis.

Portanto, cidadão: Lute por melhoras e marque um gol de placa, afinal, se jogadores são cidadãos, cidadãos também são jogadores.

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