Facebook de Prateleira

Já faz tempo que a tecnologia deixou de ser apenas uma facilitadora na vida do ser humano. Ela não visa mais apenas a produção e reprodução de melhores condições de trabalho ou mecanismos que nos ajudem a dar manutenção a vida. 

Por Lucas Pazetto, colunista da Revista Vaidapé.

A tecnologia reformulou, e muito, o próprio ESPAÇO E TEMPO e como consequência nossas relações sociais. Todos nós já ouvimos, desde a escola, algo sobre a globalização. Em como houve um encurtamento estabelecido na comunicação e no espaço diante desse fenômeno.

Mas que espaço é esse?

Não foram apenas os quilômetros que se transformaram em metros. As pessoas também assumiram um novo formato. Não me refiro aos discursos sublimes de ”oh, estamos tão perto e mesmo assim tão distantes”. Eu estou falando da nossa própria percepção material que vêm se maquinando pouco a pouco. De como o homem passou a ver o homem!

Veja bem, há um fator fundamental quando falamos de distanciamento e aproximação: A DISPONIBILIDADE.

É só você pensar nas prateleiras de um mercado. Um espaço no qual há uma variedade de produtos, desde aqueles que você realmente precisa, até aqueles que lhe servem de puro agrado. Eles estão lá, e de lá parece que vieram! Outro dia mesmo vi um garoto mais novo perguntar a mãe como o feijão nascia da lata e o leite da caixinha. Ingênuo não é? Não mais que nós.

Esse tipo de pensamento banalizado se repete no espaço virtual. Mas com as pessoas e de forma bem mais discreta.

Eu tenho meus amigos, professores, familiares, colegas de trabalho e por ai vai, todos disponíveis o tempo todo.

Não é preciso estar on-line. Existe a opção off-line [Inbox, email…] É como se assumíssemos um formato virtual ocupante desse espaço novo. Como se ilusoriamente pudéssemos nos representar com fidedignidade lá. É o caso dos perfis, que não são nada mais do que o leite na caixa, mesmo que para muitos não pareça.

Ou seja, o distanciamento aqui está entre o que de fato somos e como nos apresentamos. Enquanto a aproximação está no quanto podemos vir a acreditar nisso.

O Facebook é a forma mais pulsante desse exemplo. A tentativa que temos de ser o NUTELA da prateleira é constante! Seja através das páginas curtidas, números de amigos, seguidores, realizações pessoais postadas, fotos e vídeos de viagens, festas.

Meu amigo, se o mundo fosse tão exato e feliz como é no facebook isso aqui deveria se chamar céu e não terra.

Mas voltando ao assunto… Percebeu o distanciamento? Não é só no parecer feliz, é na própria identidade do sujeito.

Há um compartilhamento de momentos, visões e posições ideológicas nesse universo virtual. O que separava a nossa necessidade de ”ser” e de ”mostrar” se faz muito tênue agora. Isso ocorre justamente pela grande exposição que os indivíduos estão sujeitados.

O gosto e qualidade do seu produto são medidos pela quantidade de ”likes” da freguesia. Que por sua vez exprimem e retificam uma aprovação ou desaprovação coletiva.

O Facebook não precisa de um ”dislike”! A falta dele já serve como fator punitivo. Tem gente que posta e logo apaga. Já percebeu? Pois é, não ganhou ”like” coitado. Sua carne não era Friboi.

E por favor não me levem a mal, mas isso é uma grande idiotice. Essa propaganda descabida e abusiva que estamos tendo de nós mesmos tem efeitos colaterais.

Não é novidade para ninguém o comportamento alienado e febril dessa geração virtual. O ”tecla-tecla” nas telinhas dos celulares é incessável. Cada vez mais abrem-se estabelecimentos 24 horas! É na janta, na aula, em casa, no carro, na festa…

A imagem vai se construindo nos lugares cotidianos. Afinal… Você não existe só em um lugar. Você existe na academia quando vai malhar, no médico quando está doente, no sofá quando está entediado…

O quão estamos dependentes desse perfil simplório! Cada vez mais tentando adequar essa ficção a nossa realidade e vice-versa!

O ”mercado” está demandando e mandando nessa geração de nutelas. Cada ocasião demanda um registro. Uma satisfação pública do pessoal. Ai fica fácil encontrar foto de velório, de momentos íntimos…

Claro! Esse mercado não se sustenta só de felicidade. Ele demanda emoções em geral. Cadê a tristeza? Cadê a ansiedade? A carência? Onde está a ervilha da sua lata? Onde está o seu lado humano nessa grande confusão?

Então os produtos começam a se diferenciar pelos diversos setores. Cada corredor tem um gênero, uma proposta. Não se vende comida na ala da limpeza não é verdade?

Ao meu ver, um dos grandes males dessa realidade ”facebookiana” é passar a ideia de que podemos editar nosso status quando bem desejarmos. Como se com alguns ”clicks” pudéssemos passar do luto à euforia, quando na verdade sabemos que a vida não é bem assim.

por Leandro Nerd

Arte por Leandro Nerd

POR TRÁS DE TODO GRANDE PRODUTO HÁ UMA BOA PROPAGANDA.

Aparentemente incorporamos esse jargão não? O problema é que as propagandas vêm superando o produto e isso meu caro, é no mínimo duvidoso.

Entre todas as utilidades e benefícios que esse meio pode e por vezes trás, vejo um homem frustrado, auto-sabotador e desesperado. Louco por um marketing mais funcional, mais convincente, cada vez mais real.

Algo que possa substituir as falhas de uma vida que não lhe apetece, já que esta, não possui comerciais.

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