Musicais ‘gringos’ deixam apenas palmas como legado ao Brasil

Por Roberto Oliveira

Leões, zebras, girafas, hipopótamos e pinguins invadiram o palco especial montado para o musical “Madagascar Ao Vivo!”, que esteve no Brasil de 26 de setembro a 6 de outubro, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e foi inspirado na trilogia “Madagascar”, longa dos roteiristas Eric Darnell e Tom McGrath que conquistou grande público nos cinemas mundiais.

Dirigido por Gip Hoppe, com figurinos de Gregg Barnes e letras e composições de Joel Someillan e George Noriega, todos com participações em peças do circuito da Broadway, o musical conta a história da viagem dos famosos animais do zoológico do Central Park, em Nova Iorque, para as praias de Madagascar, território dominando pelo Rei Julien, um lêmure, animal típico da ilha africana. Assim, cenários belíssimos se unem a performances de canto e dança para compor um espetáculo colorido e animado de 90 minutos, que parece direcionado ao público infantil, mas alcança todas as idades.

 alex leãoProtagonista Alex, o leão, conversa com o Rei Julien, um lêmure

Com sua vinda financiada por empresas públicas e privadas, “Madagascar Ao Vivo!” chegou ao Brasil depois de passar pelo Reino Unido. Apesar de exótico, não é uma grande novidade. Pelo contrário: ele se soma aos demais musicais internacionais que têm ganhado o público nos teatros brasileiros, principalmente no eixo Rio-São Paulo, onde o poder de compra da população é maior – os preços dos musicais variam de R$ 70 a R$ 300.

Para se ter uma ideia do crescimento do número de musicais de fora que desembarcaram recentemente no Brasil, desde o ano passado já são mais de 10 espetáculos oriundos da Broadway – rua cujas redondezas reúnem mais de 40 teatros – que tiveram uma montagem nacional. Entre eles estão peças como “O Mágico de Oz”, “Cabaret”, “Família Adams”, “O Rei Leão”, “Hair”, “Xanadu” e “Thriller Live”, tributo ao mito pop Michael Jackson.

Apesar de levar milhares de espectadores aos teatros por onde passam, as grandes produções internacionais ocupam um espaço vago entre os musicais produzidos no Brasil, que são poucos e não costumam atrair grande público. Portanto, se os musicais internacionais agitam o mercado teatral nos grandes centros, por um lado, poderiam incitar os artistas tupiniquins a produzirem cada vez mais essa forma teatral tão artística quão sensível que é o musical, por outro. E, dessa forma, as grandes produções da Broadway estariam deixando muito mais que encanto e sorriso nos palcos dos teatros brasileiros. Elas deixariam, além de muitos fãs, uma cultura do teatro musical no Brasil, inexistente nos dias de hoje. E que precisa surgir com a nossa cara.

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