Capitalismo Religioso

Se há duas coisas “ironicamente” parecidas nesse mundo é a forma como se articulam as ideologias capitalistas e o modo como operam ideologicamente algumas religiões.

Imagem (Reprodução)

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Por Lucas Cabral Pazetto

No capitalismo existem dois tipos de pecadores. Aquele que se considera um e aquele que é considerado como.

O primeiro passa a acreditar que peca porque NÃO CUMPRE. É aquela típica figura “auto-martirizante”. Tende a pensar que foi sua incapacidade ou insuficiência que não lhe garantiu um lugar no céu, ou o que seria no caso, subir na vida. Esse indivíduo deixa de questionar a realidade desigual, na qual ele mesmo está inserido e tenta preenchê-la adequando-se a ela e sendo um bom fiel.  É aquela história do trabalhador que não questiona o porquê dos outros terem o que ele não tem e apenas tenta tê-lo também. O que seria livre-arbítrio na religião, portanto traduz-se como meritocracia no capitalismo. A diferença é que na contramão de um há o inferno e no outro a pobreza.

Parece justo, não? Afinal, é tudo uma questão de querer, não é? Todos têm a mesma oportunidade… Por favor.

O outro tipo de pecador é aquele que não se submeteu aos dogmas, incomodou-se e procurou afastar-se de um sistema do qual ele não quer pertencer e justamente por isso tenta mudá-lo. O exemplo mais atual que temos no Brasil são os Black Bloc.

Ora, chamá-los de vândalos é no mínimo ingênuo. Seria chamar alguém de pecador por não seguir a sua religião ou por ser ateu.

Eu particularmente não sou a favor da violência, mas sei que ela, assim como os BB (favor não confundir com BigBrotherBrasil), é apenas uma consequência que já não pode mais ser desvinculada de sua causa. Eles têm alvo, plano e ação. É apenas um grupo que cansou de ouvir a mesma missa já que essa não lhes apetece mais.

O que os diferencia dos pagãos é que no lugar da antiga inquisição encontra-se o cassetete e a opressão do estado. Pelo qual em última instancia promove-se a morte. Basta olhar para o caso de Douglas.

Em vários outros aspectos essas ideologias se assemelham. Os tubarões do sistema não são nada mais que bons “frades encartolados”. Grandes oradores que sabem muito bem como criar devotos através de migalhas.

Migalhas estas que só se sustentam, pois sempre dão a impressão de um pão inteiro. Claro, quem tem fome banqueteia até no lixo. O problema é que no capitalismo essa fome além de real, age no campo das ideias também.

Porém, assim como na insatisfação dos BB, durante os anos do capitalismo surgiram diversas novas demandas e preocupações, o que causou aquela pulga atrás da orelha sobre seu funcionamento ou à ideia de um senhor supremo. Mas como não poderia ser diferente, novas estratégias ideológicas foram criadas e afastaram o perigo.

É o caso do meio ambiente, não é?

“Abra uma conta e uma árvore será plantada. Nos ajude a salvar o mundo.”

Pois bem, só esqueceram-se de completar… ‘’Salvar o mundo de nós mesmos’’.

E assim vai se empurrando com uma barriga gulosa os problemas que surgem e apenas surgem pela principal contradição que hoje vivemos: A exploração do outro.

Nesse jogo que se assemelha ao da igreja no qual o fiel é o trabalhador, o sistema é a religião, a burguesia o clero e Deus o dinheiro, seguimos tomando a aparência como a realidade sem nem pestanejar. Já que a própria oportunidade para isso encontra-se redimida.

Assim como na religião, a ideia de céu segue em aberto. Mas vale lembrar, para os que não quiserem ir para lá…

BEM VINDOS AO INFERNO!

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