Sociedade do Futuro

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Arte: Grupo OPNI

Por Ewerton Machado

A tecnologia realmente é uma ferramenta indispensável.

Mas é possível perceber que ao mesmo tempo, pouco a pouco perdemos um item fundamental no desenvolvimento em sociedade: a “imprevisibilidade”.

A cada dia nos oferecem lançamentos e mais lançamentos, novidades e mais novidades.

O resultado desse processo é a imperialização do indivíduo. É como estar no bar em uma mesa cheia de amigos e a maioria conectada com o “mundo virtual”.

Esse distanciamento em um primeiro momento é considerado comum, porém, a noção do que significa “comum” ou “normal” é relativa.

Assumir a condição da globalização desenfreada é, no mínimo, perigoso e isso influencia o cotidiano que muda a cada segundo.

O engraçado é o antagonismo da realidade no dia-a-dia.

Sabemos tudo o que vai acontecer. Somos agraciados com a usurpação do nosso próprio tempo, mesmo sabendo que vivemos em contagem regressiva.

Sabemos que para ir ao trabalho teremos que enfrentar um ônibus lotado e a viagem demora em média 120 minutos, isso de segunda a sexta, fora aquela hora extra de fim de ano para garantir a “ceia”.

E então trocamos o ônibus lotado pelo carro com ar condicionado, mas o trajeto aumenta o tempo em 30 minutos.

Graças à tecnologia podemos verificar através das redes “sociais” o quão miserável é a vida de outra pessoa, instantaneamente podemos “viver uma vida virtual” já que é impossível viver a realidade.

E essa lógica acaba sendo transmitida incessantemente. É natural, delegamos a felicidade a equipamentos “descartáveis” e jogamos fora um item precioso: o relacionamento humano.

As grandes marcas não vendem mais produtos, elas produzem “sonhos” de tal forma que nos sensibilizamos com coisas a ponto de viver em função do próximo lançamento.

É um grande efeito em cascata.

As empresas estão equipadas com ferramentas, análises, pesquisas, segmentação, tudo para produzir os “melhores sonhos”, assim não temos que acordar e olhar para o lado ou para baixo. Temos que andar com cabeça “erguida”, mas é difícil quando no caminho de ida e no de volta sempre há pessoas dormindo no chão, com fome, sem perspectiva.

Como é possível com tanta tecnologia disponível? – Da mesma forma que é possível olhar para cima sem olhar para baixo, da mesma forma que é possível entender a vida como cada um por si.

E talvez no futuro o maior sonho de consumo venha a ser o de “viver a realidade”.

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3 responses to “Sociedade do Futuro

  1. muito bom seu texto, Ewerton! muito bom;
    parabéns pelas reflexões. ainda hoje li um texto muito afim com suas ponderações. em
    http://www.faz.net/aktuell/feuilleton/debatten/the-internet-ideology-why-we-are-allowed-to-hate-silicon-valley-12658406.html
    acho que vc vai se interessar pelo conteúdo publicado neste link.
    abração
    [“…proposal, floated by one tech executive at a recent conference, is that Silicon Valley should secede from the country and “build an opt-in society, ultimately outside the United States, run by technology.” Let’s share his pain: A country that needs a congressional hearing to fix a web-site is a disgrace to Silicon Valley.
    its true meaning: “to monetize all of the world’s information and make it universally inaccessible and profitable”? With this act of subversive interpretation, we might eventually hit upon the greatest emancipatory insight of all: Letting Google organize all of the world’s information makes as much sense as letting Halliburton organize all of the world’s oil.”]
    http://www.faz.net/aktuell/feuilleton/debatten/the-internet-ideology-why-we-are-allowed-to-hate-silicon-valley-12658406.html

    acho que vc vai se interessar pelo conteúdo publicado neste link

  2. Texto batido e sem fundamento. As marcas e a teconoliga são parte de nossa sociedade e respondem aos seus anseios. Nossa sociedade é consumista por ser capitalista, e (entre milhões de outros poréns) individualista por não ter acesso a benesses sociais. é a ditadura do faça você mesmo, pois não há com quem contar. Positivo não é, mas culpar marcas e tecnologia por isso é infantil.

    • Onde está escrito que existe um culpado? O autor faz referência aos avanços tecnológicos que apenas servem para suprir “nossas necessidades” consumistas e estão longe de oferecer avanços sociais.

      Mas me desculpe, dizer que Marcas apenas respondem aos anseios da sociedade é muito batido e sem fundamento. A partir dessa teoria posso concluir que as pessoas compram porque nascem com vontade de comprar, e não porque a tecnologia, a partir da grande midia, é utilizada para bombardear a sociedade com imagens consumistas e criar seres consumistas…

      É apenas uma crônica cujo foco é a reflexão, não uma reportagem com certo x errado.

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