“Quem forma os brigões é a sociedade, não a torcida organizada”

Por Paulo Motoryn

torcedores-de-atletico-paranaense-e-vasco-entram-em-confronto-1386532243085_956x500Saldo da briga entre torcedores: quatro feridos e muito preconceito (Foto: Reprodução)

As cenas da briga entre as torcidas de Atlético-PR e Vasco, no domingo, dia 8, em jogo válido pela última rodada do Brasileirão, rodaram os noticiários pelo mundo. Nos mais diversos meios de comunicação, as atitudes foram recriminadas de forma dura. Os torcedores brigões, tratados imediatamente como vândalos, foram protagonistas das cenas dos principais telejornais que repetiram as cenas chocantes à exaustão.

Em nenhuma das cenas, no entanto, os integrantes da torcidas puderam ocupar o espaço dado pela mídia para discutir a violência, explicar a dinâmica interna das organizadas e falar sobre a presença da Polícia Militar no estádios. A conduta da imprensa na cobertura de episódios como os do último domingo consiste em criminalizar e imediatamente generalizar os torcedores mais presentes nas arquibancadas.

Para tentar desvendar a cena criada em torno dos episódios de violência no futebol pelo Brasil, a Revista Vaidapé entrevistou André Azevedo, integrante da Dragões da Real e interlocutor voluntário das torcidas organizadas com o Ministério do Esporte – ao lado de Frajola, da Young Flu, e da advogada da Mancha Alviverde. Apesar de silenciadas pelos veículos tradicionais, as torcidas organizadas têm muito a dizer sobre segurança nos estádios.

Questionado sobre o comportamento violento das torcidas no Brasil, o dirigente da Dragões da Real apontou: “Quem forma os brigões não é a torcida, é a sociedade. Mais de 80% dos torcedores organizados são totalmente excluídos desde que nasceram. Não tiveram acesso nenhum à saúde e educação. As organizadas não moldam ninguém. Se alguém comete crimes aqui é porque já cometia antes”.

André reconhece a repulsa da sociedade às torcidas organizadas, mas atribui o fato ao preconceito: “Nós não temos espaço nenhum. A mídia nos generaliza de forma errada. Não há um mínimo de estudo e discernimento. Eu sou contra toda e qualquer generalização. Se o cara fala m… em relação às organizadas, quer dizer que ele reproduz esse preconceito sempre. Toda policial mata? Todo político rouba?”

Ele ainda recrimina veementemente os episódios de violência e enxerga a punição como uma das saídas para amenizar a questão: “Na briga lá em Joinville os caras prenderam quatro do Vasco. Sabe qual é? Tinha que ter prendido 200. Os caras brigam justamente porque acreditam que a diretoria das torcidas organizadas que vão arcar com a punição. É por isso que desde sempre pedimos a individualização da responsabilidade de casos como esses”.

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