O catracaço no México e a desobediência civil

Por João Marcos Previattelli

 

1461529_621091061265266_5296713_nDecisão por aumento da passagem do metrô causa revolta no México (Foto: Cuelate al Metro)

Na quinta-feira, dia 5, Nelson Mandela morreu. Guerrilheiro e, como tantos outros, chamado de terrorista, Madiba não poupou esforços para combater o sistema racista sul-africano. Durante toda sua luta, a desobediência civil sempre permeou suas ações, de acordo com a seguinte lógica: se existe alguma regra ou lei que promova a injustiça e oprima o povo, é dever cívico de todo o cidadão desobedecê-la, não importando as consequências.

O líder foi lembrado nas redes sociais e homenageado em suntuoso funeral. Presidentes e ex-presidentes tentaram emocionar o público em discursos prolixos e genéricos, comprovando um total distanciamento da trajetória de luta de Mandela. Muito além das homenagens de Facebook, muito acima de qualquer discurso político, foi o povo mexicano que prestou as homenagens mais marcantes a Madiba nesta semana: na luta social, é claro.

O anúncio de um aumento de 2 pesos (R$0,26) na passagem do metrô originou um ato coletivo de desobediência civil no México. O “Catracaço” está acontecendo em diversas estações da capital mexicana, e consiste em, coletivamente, passar pela catraca sem pagar. Organizado pelas redes sociais e impulsionado pelo boca-boca nas estações, o movimento têm recebido amplo apoio da população.

Utilizado por cinco milhões de pessoas, o metrô é um dos principais meios de transporte da população. Como o preço inicial do transporte era de 3 pesos, o reajuste representa um aumento de quase 70% no valor inicial. O problema enfrentado pelos mexicanos é semelhante ao brasileiro, pois o transporte público também é gerenciado por empresas privadas.

As manifestações em julho no Brasil inspiraram os mexicanos no início do movimento. Os esforços ainda visam impedir o aumento que está agendado para este final de semana, mas como o controle é exercido por empresas, a situação é complexa. O reajuste iria proporcionar, sem nenhum custo, um aumento nos lucros de no mínimo 15 milhões de pesos, o equivalente a R$2.693.070

.

O silêncio da mídia mexicana, controlada quase que exclusivamente por Carlos Slim (segundo homem mais rico no mundo), é também uma das grandes pautas dos manifestantes. Já o silencio da mídia brasileira é sintomático, tendo em vista seu desdém histórico perante às mobilizações populares. Assim como nós, brasileiros, agora somos exemplos para os mexicanos, eles podem ser o incentivo que parece faltar para reacender os grandes protestos por aqui.

 

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