Movimentos sociais jogam contra Copa do Mundo

Aconteceu no domingo (15) a I Copa Rebelde dos Movimentos Sociais. Durante o dia inteiro 32 times, representando coletivos organizados em diversas frentes de luta, jogaram em dois campinhos de terra próximos a estação Júlio Prestes, no centro de São Paulo. No campeonato times mistos de homens, mulheres e crianças jogaram sem juiz, e sem confusão.

Por Guilherme Almeida

Fotos por Roberto Brilhante

Fotos por Roberto Brilhante

Para os organizadores o campeonato serviu para mostrar que o futebol popular ainda resiste nas cidades brasileiras. O Comitê Popular a Copa lembra em seu site que quando o futebol foi trazido ao país há mais de 100 anos ele ficou restrito à elite econômica. No entanto o caráter democrático do esporte fez com que ele se popularizasse principalmente entre os mais pobres.

Fotos por Roberto Brilhante

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A informalidade foi o tom do dia. Times eram adaptados na hora, os atletas de fim de semana jogaram em dois ou três times de grupos diferentes. Até este repórter jogou improvisado no time da Filosofia da USP na primeira peleja do grupo a contra a Fanfarra do Mal, infelizmente perdemos de um a zero… Mas, se alguém perguntar, diga que fui o goleiro menos vazado da competição.

O campeão foi o time da casa, o ‘Amigos da Barão’, que apesar de não ser um movimento social foi responsável por dar vida ao terreno abandonado pelo estado na avenida Duque de Caxias após a obra que aconteceria lá ser embargada com as peladas de domingo. Além deles outros times se destacaram, como os organizadores da Marcha da Maconha e seus uniformes psicodélicos, a Comissão Guarani, com quase 100% de atletas indígenas e o time da ocupação Marconi que foi eliminado nos pênaltis nas quartas de final jogando o tempo todo com pelo menos três mulheres em campo.

Fotos por Roberto Brilhante

Fotos por Roberto Brilhante

A Copa Rebelde foi baseada no Mondiali antirazzisti, evento italiano que ocorre anualmente juntando futebol, artes e debate político. Por isso, além do futebol de várzea os presentes viram uma intervenção do grupo teatral Parlendas, da zona leste da cidade e um show no rapper palestino Mohamed Antar. Isso sem contar com a agitação da Fanfarra do MAL, que além de tocar durantes horas também jogou bola.

Marina Mattar, integrante do Comitê Popular da Copa conta que o espaço utilizado no bairro Campos Elísios é simbólico na luta contra a Copa do Mundo. “Aqui já foi rodoviária, depois virou um tipo de shopping que foi demolido e agora tem um projeto bilionário para a companhia do estado de dança de São Paulo e a comunidade nem fica sabendo disso”, diz. Ela lembra que a vinda da Copa do Mundo ao Brasil acelera processos de elitização do espaço urbano e remoções de pessoas de suas moradias.

Além da gentrificação nas cidades e o verdadeiro estado de exceção legalizado nos estornos dos estádios a Copa do Mundo da FIFA as remoções são o principal impacto da Copa de Mundo no Brasil – estima-se que pelo menos 170 mil pessoas estejam passando por despejos relacionados à Copa e Olimpíadas.

http://www.apublica.org/2013/05/copa-direitos-humanos-infografico-animado/

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