Pornografia da vingança: não goze pela desgraça alheia

Por Cristiano Hernandes, Jorge Kanazawa e Paulo Motoryn

menina-massacrada-video-celularA garota Fran, de 19 anos, foi massacrada na internet (Foto: Reprodução/Facebook)

A pornografia da vingança (em inglês, revenge porn) já existe há muito tempo. Desde que as redes sociais começaram a se popularizar no Brasil, os casos em que alguém divulga conteúdo sensual ou sexual de uma pessoa por vingança se multiplicaram. O grande alcance das redes sociais potencializou essa atitude de maneira alarmante.

As vítimas sofrem as consequências. Algumas, como Fran, goiana de 19 anos, conseguem aguentar as piadas e a vergonha de ter um momento íntimo exposto. Mas outras, como Júlia Rebeca, piauiense de 17 anos, cometem suícidio.

A divulgação do conteúdo é uma violação aos direitos legais e à privacidade da vítima. Além disso, parece razoável  uma pessoa divulgar um vídeo ou uma foto tirada no calor de um ato sexual sem a autorização do parceiro ou da parceira? Mesmo assim, há a velha tendência de culpar as vítimas.

A invasão de privacidade que as vítimas do revenge porn sofrem não é responsabilidade das pessoas expostas, mas sim parte de um problema estrutural: uma cultura machista e moralista, que violenta a mulher, cristaliza preconceitos e chega a tornar um ato sexual lindo e intenso em caso de polícia.

Quando quem sofre a invasão de privacidade são artistas famosos ou quando os violadores de privacidade são grandes órgãos de inteligência do governo dos Estados Unidos, contudo, as reclamações são prontamente ecoadas por todos os grandes meios de comunicação com um ar de recriminação.

Mas fora esses casos raros, as vítimas anônimas sofrem com os comentários, alguns agressivos, alguns de chacota, para o resto da vida. E devido à natureza da internet, elas não têm para onde fugir. Uma pesquisa no Google e o conteúdo está disponível para quem quiser assistir, pois vídeos e fotos se espalham com uma velocidade e facilidade enorme. Não há como retirar todas as cópias de um vídeo ou de uma foto da internet.

Os curiosos olham e logo esquecem. As vítimas tentam se afastar da vida que levavam, quase sempre sem sucesso. E a internet, cada vez mais, incentiva, através das redes sociais, que as vidas sejam compartilhadas. O problema é que um clique irresponsável pode causar estragos que vão muito além do virtual.

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