DENÚNCIA: TARTARUGAS EM RISCO POR DESCASO DOS PESCADORES

 

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Por João Miranda

Fotos por Greta Rodrigues

Reza a lenda que pular sete ondas à meia-noite do dia 31 de dezembro traz muita sorte, contanto que não fiquemos de costas pro mar. Um ritual que é seguido por muitos brasileiros durante um dia no ano, mas logo é esquecido e viramos as costas pro mar como uma mãe que não sabe cuidar do próprio filho.

Após os rituais, o brasileiro quer descansar, viajar, curtir. De acordo com dados retirados do I Salão Baiano de Turismo, a participação da Bahia representa 13,2% do PIB turístico do pais, ficando em segundo lugar no ranking e apenas atrás de São Paulo, que representa 20,3%. Caracterizada por ser uma das principais áreas remanescentes de desova de tartarugas do país, o litoral baiano possui grande importância biológica para as tartarugas marinhas, pois cerca de 70% das desovas registradas na costa brasileira ocorrem por lá.

A Península de Maraú, localizada na Costa do Dendê – 180 km ao sul de Salvador e 120 km ao norte de Ilhéus – está sofrendo com a forte onda turística que inunda o território baiano e, consequentemente, possibilita uma renda maior aos pescadores locais. O que poderia ser resolvido com educação ambiental e orientação aos pescadores, vira um desastre.

UMA REDE NO MEIO DO CAMINHO

Presas nos diversos tipos de redes e anzóis que são jogados ao mar, as tartarugas não conseguem subir à superfície para respirar e acabam desmaiando ou mesmo morrendo afogadas, sendo encontradas diversas vezes mortas na areia.

Foto: Greta Rodrigues

Foto: Greta Rodrigues

Nesta terça-feira, 7 de janeiro, moradores locais denunciaram a presença de duas tartarugas e um golfinho, todos mortos, na Praia Saquaíra – Barra Grande (BA). E hoje, dia 8 de janeiro, uma tartaruga morta (ver fotos acima) na Praia do Cassange.

Segundo dados retirados do Projeto Tamar, “a captura incidental é considerada atualmente a principal ameaça às populações de tartarugas marinhas. No Brasil, assim como no resto do mundo, a pesca do arrasto do camarão e com espinhéis em alto mar são dois dos principais tipos de pesca que interagem com as tartarugas.”

Entrevistamos Célia Porto Xavier, 31, moradora local da Península de Maraú, que diz ser normal verem tartarugas mortas na praia. “Apesar de não haver fiscalização, sabemos que é um crime pegar tartaruga”, ela conta. Restos de redes e linhas de pesca são frequentemente abandonados no mar e obviamente também são perigosos, pois permanecem no ambiente matando indiscriminadamente e desnecessariamente não só as tartarugas marinhas como outros animais que se enroscam e morrem enforcados. É como viver num campo minado. E Célia completa: “Os pescadores sabem que estão errados, mas ao chegar nesta época do ano parece ser normal ver tartaruga morta.”

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