O hotel está pra moscas!

Coluna de Lucas Cabral Pazetto

Você conhece o experimento de Redi e a teoria da biogênese?

Na antiguidade, enquanto acreditava-se no criacionismo ou na teoria da GERAÇÃO ESPONTÂNEA, que admitia por sua vez, que sapos, rãs, cobras etc. formavam-se a partir da lama dos rios e lagos, ou que vermes criavam-se da carne de animais em decomposição, houve um pesquisador que poria em cheque essa falsa lógica.

Francesco Redi (1626-1697) decidiu provar que esses vermes não se originavam do cadáver animal, mas sim, eram larvas advindas de moscas que depositavam seus ovos sobre eles.

mosca

Organizou um experimento. Colocou dentro de potes de bocas largas pedaços de carne ‘’podre’’  tampando apenas alguns deles com uma fina camada de gaze. Após alguns dias retornou ao local e o resultado era visível.  Nos potes destampados, em que as moscas podiam circular livremente surgiram os vermes, já nos tampados nenhum.

Essa história me chama muito a atenção, pois nunca deixou de se reproduzir. Ao que me parece a crença na teoria da geração espontânea não morreu. Apenas saiu do campo biológico e se reconfigurou no político-social.

Infelizmente ainda acreditamos que o sapo sai da lama, bem como nossos problemas saem de causalidades banais e aparentes. Mas o fato é que continuamos a ignorar as moscas. Os grandes insetos corporativos que minam de vermes a carne putrefata de nossa política.

Isso por dois principais motivos:

1) Ideologias pouco sustentáveis, mas de grande poder ilusório que cedem espaços a discursos vazios, mas sedutores, já que generalizam e sempre tem algo a apontar, mas quase nunca o que dizer.

A culpa é do governo“? Quer maior exemplo de geração espontânea hoje que essa frase capenga? Isso é tão vazio que chega a dar fome. Diga-me quem! Diga-me quando! Por que! E como!

Governo é feito de gente, partido, acordos, instituições e principalmente INTERESSES. Não de lama! De corrupção pela corrupção! Isso não existe, a não ser que você seja fã da antiguidade.

2) A falta de uma consciência mais lúcida ao que se refere às contradições estabelecidas entre os setores privados e públicos em nosso país.

A questão é… Quais são os insetos que passam despercebidos, principalmente pela grande mídia, e que se alimentam e procriam a partir da fraqueza do Estado?

Como REDUZIR, por exemplo, a miséria ao governo? Isso não é diferente de dizer que a rã vem do lago, percebe? Ela necessita do lago, mas não só dele.

O governo meu caro, é apenas um ambiente favorável às moscas e, devo dizer um verdadeiro hotel 5 estrelas em alguns países. O nosso, por exemplo, oferece aos planos de saúde um quarto na suíte presidencial a beira mar, enquanto o SUS com todo seu potencial se ajeita num ’’cafofo’’ qualquer. Às empresas de transporte, estadia com café da manhã incluso, enquanto o trabalhador descasca as batatas na cozinha do hotel. Já para agricultura, pra não falar das famosas acomodações oferecidas aos grandes latifundiários, encontram-se nas lojas de suvenir bons agrotóxicos para os negócios, alguns que nem são mais permitidos em outros países! Olha que luxo! E ainda vem de brinde o uso indiscriminado e a contaminação de algumas populações e ambientes (como fora discutido nesta última comissão dos direitos humanos).

Uma verdadeira propaganda trágica! Que se repete nos setor educacional, alimentício e por ai vai. Mas que sempre vêm acompanhada de discursos preocupados como “a educação é um direito de todos” enquanto sabe-se que isso não ocorre pois não há possibilidade. Enquanto o próprio sistema for falho e limitado, justamente por essas contradições Publico x Privado, discurso nenhum fará diferença.

Afinal, os interesses visados são de ordem social ou exclusivamente econômicas? A quem nossos governos vêm tentando de fato proteger? (E nem tente pensar num casamento perfeito dos dois, isso é papo pra boi dormir e têm funcionado muito bem) Ingênuos aqueles que acreditam nas boas intenções do dominante. Só o que faltava, depender de boas intenções sobre o que é meu por direito.

Agora… Como a natureza já nos ensinou, o ambiente está em constante transformação, ou pelo menos deveria, não é? Transformação esta que, como nos ensina a história humana, depende profundamente de nós.

Temos que recusar as aparências, não podemos mais admitir que as coisas sejam meras fatalidades ou que sua própria solução tenha ordem espontânea. O mundo nunca foi assim materialmente e, nunca será.

Precisamos de mais “Redis” e não ludibriados de uma geração espontânea. Pessoas que tampem os potes de nossos governos e confiram então a ausência de vermes no mesmo. Mostrem que é possível e que nada vêm do nada!

Chega de mosca, vermes e pragas no que é nosso por direito! É um verdadeiro pecado esquecer que somos maiores que insetos nessa vida.

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