Preservação ambiental se confronta às comunidades tradicionais

Por Paulo Motoryn

Via My Fun City

A busca da qualidade de vida leva os brasileiros a buscar novos horizontes para seu lazer. Destino turístico dos mais visitados do Brasil, a região da Chapada Diamantina, no interior da Bahia, acumula um patrimônio natural exuberante, com belas cachoeiras e formações rochosas.

O contexto de crescimento exponencial do ecoturismo no Brasil, setor de negócios incentivado em publicações oficiais pelo próprio Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais (IBAMA), determinou a criação, em 1985, do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Festejada pelos ambientalistas, a decisão resultou em intensa preservação ecológica, mas deixou pontos controversos.

A mudança da condição legal da região fez com que o destino se tornasse popular entre jovens e aventureiros de todos os cantos do mundo. Nas ruas das pequenas e charmosas cidades do entorno, como Lençóis, Capão e Palmeiras, não é difícil ouvir os mais diferentes idiomas. Muitos dos estrangeiros, inclusive, resolveram abandonar seus países de origem em busca de uma vida mais próxima da natureza e dos momentos de introspecção.

“A preservação do ambiente é uma luta internacional”, afirma Edith, chilena radicada no Vale do Capão. Turista de primeira viagem na Chapada em 2004, ela hoje trabalha no comércio local. “A criação de um parque mostra para o mundo que há gente disposta a cuidar da Chapada Diamantina. É empolgante entrar no desafio de cuidar do planeta”, é o que diz Sharon, israelense que achou em Lençóis seu refúgio, após mais de três anos servindo ao exército de seu país.

O discurso otimista das estrangeiras de “sotaque baiano”, contudo, contrasta com uma questão social polêmica. Quando foi decretada a criação do Parque e delimitado seu território, já existiam moradores tradicionais no Vale do Pati – principal concentração de atrações naturais da Chapada. Eles passaram, então, a residir dentro do Parque. A relação entre a gestão do Parque e os moradores sempre foi conflitosa.

“Quando começou a história do parque foi bem complicado, pois queriam tirar a gente daqui com um punhado de dinheiro. Mas nada no mundo paga nossa história e nosso direito de morar aqui”, segundo um dos moradores da população tradicional do Pati, que preferiu não se identificar. Segundo ele, já há muita gente “de olho grande” na região.

A elaboração de um Termo de Compromisso, no ano passado, entre os moradores do Vale do Pati e a administração do Parque, buscou transformar a relação de conflito numa relação de parceria. O termo prevê inserir os moradores locais nos passeios turísticos, fazendo com que ganhem pela hospedagem e alimentação dos turistas. “Por enquanto está bom”, diz outro morador, resignado, em pocas palavras.

As opções de passeios não se esgotam no interior do Parque da Chapada Diamantina. O entorno da região reserva atrações naturais como a gruta da Pratinha, que possui águas azuis turquesas, e as da Lapa Doce e Torrinha, que oferecem belas caminhadas entre estalactites. Em termos de cachoeiras, podem ainda ser desfrutadas as Mosquito, Fumacinha, Buracão e Poço do Diabo.

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