Dois anos depois de fechar, Cine Belas Artes pode abrir novamente

Por Carolina Piai
Via MyFunCity

O cinema de rua mais tradicional da capital paulista, que fechou suas portas em 17 de março de 2011, em meio a mobilizações sociais que clamavam por seu tombamento, possivelmente voltará a funcionar neste ano. De acordo com Gilberto Dimenstein, no programa “Mais São Paulo” na CBN, a prefeitura está conduzindo negociações “para que no aniversário de São Paulo seja anunciada a volta do cinema Belas Artes”.

Há perspectivas, segundo Dimenstein, de que o patrocinador seja um banco. Caso as negociações corram como o esperado, o espaço se tornará um grande centro cultural direcionado ao cinema.

Assim, a gestão Haddad ganhará o apoio de muitos paulistanos. O Cine Belas Artes, criado em 1952, é fundamental na memória da cidade: além de ter sido referência na exibição de filmes de arte, situou-se como um pólo de resistência no período da ditadura militar. Lá, eram promovidos debates e foram exibidos filmes proibidos.

No decorrer de seus 59 anos de existência, apesar de ter passado por fases ruins, o Belas Artes se afirmou como um espaço público que fugia à lógica comercial cinematográfica. Alguns filmes ficaram três anos em cartaz, por exemplo.

Quando fechou, a comoção foi geral. O proprietário do terreno, Flávio Maluf, propôs um aluguel exorbitante, que não podia ser arcado pelo cinema. “Cine Belas Artes: uma máquina de sonhos, não de dinheiro. Tombamento já!”, dizia um cartaz pendurado no lugar em seus últimos dias de funcionamento. Outras centenas de cartazes foram vistos em protestos que ocuparam às ruas, mas a situação permaneceu a mesma.

A partir daí, surgiu o Movimento Belas Artes (MBA), composto por adoradores do cinema, que luta pelo tombamento do espaço. Em março de 2013, tiveram uma vitória: a fachada do prédio foi tombada.

No período do fechamento, Moura Reis, ativista do MBA, jornalista e crítico de cinema, afirmou: “O Belas Artes é um patrimônio cultural e afetivo da cidade de São Paulo e o fechamento dele vai deixar um vazio na cidade e no país”. A entrevista é do documentário “Cine Belas Artes – Consolação 2423”, dirigido por Luan Cardoso. Aguarda-se agora, ansiosamente, o preenchimento desse vazio que o Belas Artes deixou. A falta de espaços públicos culturais é evidente na metrópole.

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