Governo superestima efeitos da Copa do Mundo

Por Guilherme Almeida via MyFunCity

Desde 2007, quando o Brasil foi anunciado como anfitrião da Copa do Mundo de 2014, muito foi falado em relação a necessidade e a capacidade do país de receber esse megaevento. Infraestrutura logística, turismo e exposição no cenário internacional são os temas mais comentados pelo governo. Depois da realização da Copa das Confederações, em junho no ano passado, algumas desvantagens ganharam espaço no debate.

Ilustração por Vitor Teixeira

A BBC Brasil publicou recentemente entrevista com especialistas britânicos que dizem que o evento pode ser mais negativo do que positivo ao Brasil. Simon Kuper e Stefan Szymanski são autores do livro Soccernomics, uma pesquisa sobre o impacto econômico da Copa nos países que a recebem. “Sediar uma Copa do Mundo não traz nenhum legado econômico. Se você quer impulsionar a economia com o dinheiro do povo, que paga impostos, é melhor investir em escolas e hospitais”, disse Kuper à reportagem.

No Brasil, movimentos sociais se organizam para expor como a realização desse megaevento traz malefícios para a população. “O primeiro legado da Copa são as remoções forçadas. A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa estimam em 250 mil o número de pessoas removidas ou ameaçadas nas 12 cidades sede”, denuncia Juliana Machado, membro do Comitê Popular de São Paulo.

Representantes do governo brasileiro, como o Ministro do Esporte Aldo Rebelo (PCdoB), falam em números expressivos de avanço econômico relacionados a Copa à partir de estudos de consultorias contratadas em 2010, como a a Ernst & Young e a Value Partners. Por exemplo, geração de 720 mil empregos, atração de 600 mil turistas estrangeiros e impactos econômicos de até R$ 142 bilhões.

Segundo Juliana Machado esses números, ainda usados pelo governo, são superestimados. “O Comitê admite que o turismo é um setor que deve ter um avanço durante esse período. Por outro lado, a gente sabe que na Africa do Sul, na Copa do Mundo de 2010, a expectativa de crescimento do turismo não foi correspondida à estimativa do governo de lá”, diz. Juliana se refere à pesquisas de grandes universidade brasileiras para respaldar suas críticas.

De acordo com o texto de Marcelo Proni e Oliveira da Silva do Instituto de Economia da Unicamp, “estudos [usados pelo governo] introduzem hipóteses que simplificam demais as projeções e ignoram preceitos econômicos” com a intenção de “alimentar altas expectativas em relação aos efeitos positivos da Copa”. Segundo Proni essa projeção “demasiadamente otimista” serve para justificar os investimentos públicos no projeto. Aproximadamente 85% dos R$ 25,5 bilhões que a Copa custará serão custeados pelo Poder Público ou com financiamento concedido por bancos estatais.

Lei da Copa cria estado de Exceção

A Copa do Mundo é um produto de uma empresa privada sediada na Suíça, a FIFA. No entanto, quando um país se candidata a receber o evento ele tem que garantir uma série de imposições da Federação Internacional na forma de leis. Os pontos regulados por essa nova legislação vão da concessão de vistos, direitos comercias de imagem e controle do ambiente interno e externo dos estádios.

Em vigor desde 5 de junho de 2012 a Lei Geral da Copa muda em caráter excepcional a legislação do próprio país durante o período do campeonato. A integrante do Comitê Popular de Copa de São Paulo, Juliana Machado destaca que além do Estatuto do Torcedor essa norma interfere de forma abrupta na cultura do futebol brasileiro. “São Paulo tem mais de 138 mil de trabalhadores ambulantes. Essas pessoas já tem suas condições complicadas há alguns anos pela prefeitura. Agora não poderão trabalhar nos estádios e nem nas exibições públicas dos jogos”, diz.

O comércio ambulante no raio de dois quilômetros, assim como a publicidade de marcas que não sejam patrocinadoras da Copa, passa a ser crime punível com detenção de três meses a um ano ou multa.

Juliana relaciona o perímetro de controle envolta das exibições públicas dos jogos – que acontecerão no Vale do Anhangabaú – com shopping centers. “A Copa das Confederações de junho foi um resumo do que a gente vai ver no nesse ano: o espaço público privatizado, cercado, securitizado e militarizado pra impedir a presença de pessoas indesejadas, assim como a gente vê com os “rolezinhos”nos shoppings”, analisa.

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2 responses to “Governo superestima efeitos da Copa do Mundo

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