Andarilhos paulistanos comemoram “privilégio” e criticam sistema de transporte

Por Paulo Motoryn

Foto por André Zuccolo

Foto por André Zuccolo

A partir das manifestações de junho de 2013, a questão do transporte na cidade de São Paulo ganhou um protagonismo ímpar. Os atos puxados pelo Movimento Passe Livre reivindicavam mais do que a revogação do aumento do preço da passagem de ônibus e metrô, mas também a tarifa zero e uma total reformulação do sistema de transporte na metrópole.

As discussões sobre mobilidade urbana, porém, poucas vezes deram conta de uma pequena parcela da população que teoricamente não sofre com as principais queixas dos paulistanos em relação ao transporte: os “andarilhos”, aqueles que se locomovem pela cidade sem usar nenhum meio de transporte que não a caminhada.

De acordo com a pesquisa feita pela FGV e MyFunCity, relativa à satisfação do paulistano com a cidade, o tempo no trânsito e a qualidade do transporte público são os pontos de maior incômodo da população com a mobilidade. Os andarilhos, cerca de 7% dos habitantes da cidade segundo o estudo, fogem dessa realidade e festejam um outro estilo de vida em São Paulo.

“É evidente que poder ir caminhando para todos os lugares que preciso é um privilégio. A maior parte da população não consegue fazer isso. Fico feliz por vivenciar São Paulo de outra forma, sem passar horas no trânsito”, explica Martim Arantes, advogado e morador do Itaim Bibi, zona oeste da cidade.

Apesar de serem raridade em São Paulo, os andarilhos, segundo Martim, são apenas o resultado de um sistema falho: “Caminhar faz bem e gosto de viver as calçadas, mas se tivéssemos transporte público decente e fluidez nas ruas, eu poderia recorrer a outros hábitos de acordo com a necessidade. Hoje em dia, não entro no caos das ruas de jeito nenhum”, explica.

Os benefícios da caminhada, em termos ambientais e fisiológicos, não excluem justas reivindicações. “Bem como os usuários do transporte público ou dos carros, eu também sofro com a precariedade das ruas paulistanas. São inúmeros problemas, como buracos nas calçadas, bares que invadem o espaço dos pedestres e motoristas de carros absolutamente irresponsáveis”, reclama Martim.

A falta de políticas urbanas para os pedestres é um problema crônico da cidade de São Paulo, que, mesmo investindo em educação para que os motoristas respeitem as vidas que caminham, insiste em ameaçar e atropelar os que abrem mão de rodas, motores, cilindradas e cobradores. “A cidade deveria ser feita para pessoas, não para máquinas”, resume o advogado.

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