Comunidade caiçara resiste à especulação imobiliária

Por Antonio Amaral

Exploração, dominação e monopólio. A comunidade caiçara da Praia do Sono está sendo estrangulada pelos magnatas do condomínio de Laranjeiras, Rio de Janeiro.

sono2

Foto João Miranda

Um dos maiores conglomerados de milionários brasileiros, o condomínio abriga mansões de famílias como Setubal, donos de grande parte das ações do banco Itaú. Com exclusivo acesso pelas vias de ouro, a Praia do Sono se mantém como reserva e é preservada pelos turistas e caiçaras. Englobando a Reserva da Joatinga desde 1992, a Praia do Sono é um paraíso que luta para não ser engolida pela ganância dos que não se saciam.

É o que conta o nativo Jadson dos Santos, 33, membro do Fórum de Comunidades Tradicionais: “Tudo começou em meados de 1970, quando um homem chamado Jibrail Nubilitanos, paulista e dono de industria Têxtil em São Paulo quis expulsar toda comunidade a força”. Jadson conta que desde então a briga pelas terras paradisíacas se desenfreou.

A construção do Condomínio de Laranjeiras na mesma época resultou na criação da chamada Vila Oratória. Com o discurso de progresso, desenvolvimento e trabalho para os caiçaras que ali habitavam, os proprietários do condomínio os expulsaram de Laranjeiras e criaram a denominada Vila. Todos que moram por ali foram “forçados” a ceder suas terras e se submeterem ao trabalho.

Hoje, os cerca de 320 moradores da Praia do Sono contam com os sindicatos para se organizar e tentar salvar suas terras de origem. “O Estado não têm atuação aqui, todo ano é uma guerra pela concessão de terra”, conta Jadson. Segundo o caiçara, o Estado os reconhece, porém não os intitula como os donos da terra. “Por isso que aqui é uma briga sem parar, eles querem tomar nossa terra”, concluiu.

sono1

Foto João Miranda

Enquanto lutam pela posse das terras, os condomínios tentam controlar o fluxo no local. O INEA, orgão público, que segundo Jadson é subordinado à Laranjeiras, controla a entrada e saída de turistas. Os pescadores e barqueiros seguem regras quanto ao abastecimento e restrições quanto ao tráfego entre as praias. “Pra você ter uma ideia, só conseguimos que fosse criada uma trilha para a praia em 2009 e a energia elétrica só chegou aqui em 2010”, conta Jadson.

O sufocamento das comunidades caiçaras e quilombolas está ocorrendo em outras regiões próximas. Jadson contou que no Saco do Mamanguá a comunidade está sendo expulsa. Na praia Martins de Sá, perto do Pouso da Cajaíba, o único morador ganhou liminar na justiça para adquirir a terra em que a família vive há gerações. Seu Maneco, dono do único camping na praia, teve ajuda pelas redes sociais de turistas que abraçaram a causa.

A luta dos caiçaras pelo pedaço de terra paradisíaco e a liberdade para administrarem sua fonte de renda é interminável.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s