Responsável pelo trânsito em São Paulo, carro é privilégio de um quinto da população

Por Paulo Motoryn
Via MyFunCity

A cidade de São Paulo possui uma das maiores frotas automobilísticas do mundo. De acordo com especialistas em urbanismo, o carro é um dos grandes causadores das longas horas de trânsito as quais os paulistanos são submetidos diariamente.

Segundo pesquisa feita pela FGV e MyFunCity, relativa à satisfação do paulistano com a cidade, apenas 14% da população consegue completar todos os seus trajetos diários em até 30 minutos. Outros 13%, por sua vez, demoram mais de três horas todos os dias nos deslocamentos.

O tempo perdido no trânsito foi identificado, no estudo, como uma das principais queixas dos habitantes em relação à mobilidade urbana na cidade, ao lado da má qualidade do transporte público.

Para a filósofa Marilena Chauí, a situação é reflexo da “cultura do automóvel”, conjunto de práticas impõem o carro como elemento fundamental para a felicidade no mundo moderno.

De acordo com o Detran (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), em julho, a capital concentrava 7.491.989 veículos, sendo que, deste total, 5.395.088 correspondem a automóveis.

Para a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a frota paulistana em atividade é de aproximadamente 3,8 milhões de veículos. O número é calculado com base na contagem de automóveis por agentes localizados em pontos específicos da cidade, como o topo de prédios e cruzamentos de grande movimentação.

Apesar da saturação de carros na cidade, um número intrigante foi revelado na pesquisa sobre o bem-estar do paulistano: apenas 18,6% dos habitantes usam o carro como meio de transporte.

A conclusão é assustadora e denuncia uma concentração feroz e uma desigualdade crônica, afinal os carros ficam restritos apenas à elite da cidade, cerca de dois milhões de habitantes que são os grande responsáveis pelo trânsito caótico em São Paulo.

Fica evidente que a frota automobilística não comportaria uma adesão em massa ao carro como meio de transporte, o que pode indicar uma baliza às políticas sociais na cidade: é necessário uma mudança cultural profunda para evoluirmos em termos de mobilidade urbana e igualdade.

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