Cara ou coroa?

Por Lucas Pazetto

Você é ruim ou é bom? Bem intencionado ou oportunista? É céu ou inferno?

É dessa maneira que costumamos olhar para nossos semelhantes e as vezes, até para nós mesmos. Jogamos cara ou coroa o tempo todo. Mas ao invés de moedas, jogamos com pessoas.

Uma das maiores contradições na história humana é a ânsia que mostramos por igualdade e os discursos que vão na mão errada. O sujeito que diz de peito cheio que quer um mundo mais justo e horizontal é o mesmo que olha para o próximo como a face de uma moeda.

Como o homem, em sua maioria, vê o homem hoje em dia?

É muito comum procurarmos razões para nossas atitudes. Concorda?  Traçamos nossa história, olhamos para o passado e dizemos ”ahhh.. vai ver é por isso eu sou assim” . Ao olharmos para o futuro entendemos que agimos a fim de algo e, para o presente pelas circunstâncias momentâneas. Até nas horas em que assumimos posições erradas, estamos sujeitos a uma possível auto-sabotagem. Articulamos com nós mesmos desculpas e motivos que justifiquem os acertos e erros.

Quer dizer, temos constantemente esse movimento de compreender nosso eu.

Na própria psicologia isso se dá das formas mais diferentes e variadas possíveis. Em suas mais de 400 vertentes, existem visões que se atritam e dialogam a anos. A biologia,psiquiatria, antropologia entre outras matérias se aventuram sobre essa questão também:

Como diabos nós funcionamos?

Talvez essa seja uma pergunta eterna. Talvez o homem possua dentro de si uma infinidade de possibilidades que o expliquem. Somos um universo vasto, isso é FATO!

Agora… Isso não significa que devemos fechar os olhos para as repercussões que tanto estas, quanto as visões populares, têm no mundo.

Hoje, em suma, tomamos o homem sob uma ótica um tanto quanto pessimista e injusta. Se por um lado nos dispomos a vasculhar as razões internas que nos movem, por outro insistimos em tomar o próximo em sua superficialidade.

É incrível como ignoramos a imensidão que cada ser humano guarda dentro de si e em como somos mesquinhos. Sim! Mesquinhos. Não conseguimos entender que as motivações variam de pessoa para pessoa por que a história de cada um, assim também se faz.

O outro para nós tornou-se uma moeda que possui seus lados, que nunca mudam e que têm suas características singulares. Só não percebemos que ao fazer isso entregamos à ”sorte” (de nossos julgamentos imediatos) o destino de suas facetas. Qual se mostra e qual se esconde.

Na sociedade é corriqueiro esse tipo de pensamento. Ou elas são ”cara” ou são ”coroa”. São más ou boas, significantes ou indiferentes, merecedoras ou preguiçosas, ouro ou lixo. E quando vemos a face que dela prevaleceu nunca nos perguntamos o por quê, e a entendemos como se mostra. Ou pelo menos como viemos a entendê-las.

Pouco se usa a lógica. Desenvolvemos a tendência de olhá-los separados da sociedade como se fossem independentes da história da mesma ou da maneira como está construída. Por exemplo, ao mesmo tempo em que houve um progresso em analisar a condição social que alguém se encontra, como por exemplo as faltas de oportunidade, uma criação perturbada, falta de educação, houve também um retrocesso quanto as generalizações que procuram explicar o comportamento ‘’inadequado’’ dos mesmos.

Se por um lado alguém que conseguiu enfrentar as dificuldades materiais da vida deve ser visto como um exemplo em nossa sociedade, por outro, os que não conseguiram e se entregaram a atividades criminosas passaram a ser bandidos quase que por conta própria. Ora isso mais uma vez é insustentável, cada história deve ser vista de perto, dissecada para só então se afirmar algo. Por mais que um indivíduo exerça uma atividade do gênero de forma lúcida  e diga que rouba e mata porque quer e porque é mais fácil, não é para ele que devemos atentar. É válido descobrir suas motivações etc,mas para então entender que tipo de indivíduo nossa sociedade, decorrente de uma história, está formando.

Não é só o meio, não é só a história da pessoa, são os dois interdependentes que constituem o seu caráter e suas motivações. Nossa capacidade de enxergar o mundo, de NOS enxergarmos inserido nele, bem como nossas possibilidades de agirmos sobre ele, de sermos seres conscientes de nossas ações, dependem desses processos.

Pros falastrões que procuram explicar o homem como uma moeda, os desafio procurar no projeto genoma um gene da maldade e da bondade. Isso nem seria possível concorda? Já que tais conceitos também dependem dessa relação social histórica.

Me pergunto como podemos nos colocar em pedestais tão particulares.

Perdemos a preciosa oportunidade de descer deles e colocar o pé no chão, ficar na condição de mesma altura. Temos medo de descer porque não sabemos viver lá em baixo, somos leigos nesse mundo de igualdade. Lá de cima as pessoas fazem fofocas, lá em baixo partilham conversas, lá do alto as criticas são hostilizadas, la em baixo são pilares, em um gritam suas ideias, no outro abre se uma roda, no primeiro existe a sentença de morte, no segundo valida-se toda vida, em um vagabundo tem que morrer, no outro tem que ser compreendido, não aceitado, compreendido! enquanto em um podam se flores estranhas, no outro cultiva se um extenso jardim.

A vida não é um júri em que dedos tomam direções e um martelo decreta sentenças. A vida não acontece para mim como acontece pra você e nunca acontecerá. Cabe a nós ficarmos descalços juntos ou sozinhos em falsos pedestais.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s