Planos de saúde infernizam paulistanos, que clamam por sistema público

Por Paulo Motoryn

Via MyFunCity

Um dos principais fatores de insatisfação do paulistano é com os planos de saúde privados. Segundo estudo publicado pelo MyFunCity e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a questão é o que mais incomoda os moradores de São Paulo no que se relaciona aos indicadores de consumo das famílias.

Não é difícil entender as razões. A primeira se refere aos preços abusivos: nos últimos dez anos, desde 2004, os planos de saúde subiram mais que a inflação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Em 2013, por exemplo, os planos ficaram 8,73% mais caros, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 5,91%.

No Plano Real – ou seja, desde julho de 1994 -, o aumento dos planos, de acordo com o IBGE, supera em mais de 200 pontos percentuais a alta do IPCA no período. Apesar da total desregulação dos preços, o valor não é o único ponto de incômodo dos usuários com os planos de saúde.

“O preço é sempre um fator de revolta, mas a gente paga caro em tanta coisa que o grande problema não é esse. O serviço é péssimo, não está preocupado com a saúde do cliente. São empresas assassinas porque pensam no dinheiro antes de pensar na vida humana”, reclama Gérson Ágor, professor da rede pública de ensino básico.

Gérson viveu um grande drama com o seu plano de saúde em 2012. “Minha mãe precisava fazer uma cirurgia intestinal e teve de aguardar quase três meses para autorizarem o procedimento. Quando eles deram o aval e já estávamos literalmente entrando na sala de cirurgia, voltaram atrás e não pudemos prosseguir”, lamenta.

A reclamação do professor, clara nos números da pesquisa sobre o bem-estar do paulistano, é apenas uma dentre a média de 6.550 queixas por semestre feitas às organizações de defesa do consumidor pelos brasileiros, de acordo com reportagem publicada no jornal “O Globo” no ano passado.

Maltratado pelos planos de saúde, o paulistano enxerga no sistema público de saúde um fator de extrema relevância para superar o desgaste com as grandes empresas. Isso é o que indica outro dado da pesquisa, em que a maioria dos entrevistados considerou o investimento do Estado em saúde como primordial.

“Deixar nossas vidas nas mãos de empresas como as de planos de saúde é um suicido quase literal. Lucrar em cima de doenças e tragédias deveria ser motivo de apedrejamento em praça pública”, afirma Gérson, resumindo a sua indignação e a de grande parte dos paulistanos.

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