Tempo de deslocamento impede paulistano de praticar esportes, mostra pesquisa

Por Paulo Motoryn

corrida

A prática de atividades físicas foi um dos aspectos explorados na pesquisa do índice Well-Being Brasil (WBB), desenvolvido em parceria pelo MyFunCity e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que investiga o grau de bem-estar do habitante da cidade de São Paulo. Os dados coletados indicam que os exercícios físicos são praticados efetivamente por menos de 50% da população, o que coloca mais da metade dos paulistanos na condição de sedentários.

Dentre os respondentes que admitiram não praticar nenhuma atividade física em suas rotinas (51%), a grande maioria (32%) alegou não encontrar tempo para esporte ou exercícios. Segundo o estudo, há uma explícita associação entre a estatística e a questão do transporte e da mobilidade urbana em São Paulo, pois, ao mesmo tempo, a pesquisa indica que cerca de 31% dos respondentes gasta ao menos duas horas nos seus deslocamentos diários.

“Não apenas o tempo no trânsito, mas também o esgotamento psicológico por causa do trabalho me impede de criar forças, calçar um tênis e sair para correr ou fazer qualquer esporte. Para mim, não há surpresa em saber que, depois de trabalhar como um camelo, o paulistano prefere a cerveja à atividade física”, afirma João Martinez, corretor de imóveis e ex-zagueiro de um time de futebol de várzea da zona oeste: “Até a pelada de domingo eu larguei”.

Outros 11% responderam que as atividades não fazem parte de seus hábitos simplesmente por não gostarem, como é o caso de Alexandre Bastos, estudante de filosofia, de 29 anos: “Eu entendo o problema de ser sedentário, mas parece que o suor e o esforço físico não foram feitos pra mim. Ao longo da história sempre existiram os guerreiros e os gordinhos”, tenta justicar, em tom de brincadeira, ignorando os riscos da obesidade e do sedentarismo para a saúde.

Além dos que clamam por mais tempo para a prática das atividades e dos que admitem não ter gosto pelo esforço físico, ainda há os que possuem motivos de saúde. De acordo com a pesquisa, são 7% os paulistanos que têm doença crônica que impede a realização de atividade física. Ao todo, 20% dos respondentes disseram possuir problemas de saúde crônicos, sendo a hipertensão a enfermidade mais recorrente (22% dos casos).

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