O drama da linha 517J-10, na Zona Sul

Por Carolina Piai

Via MyFunCity

O ônibus que sai da Avenida Berrini e vai até o Jardim Selma, percorrendo um pequeno trecho da extensa Zona Sul de São Paulo, tem atormentado a vida de seus passageiros. No meio da tarde da última quinta-feira, 6, a situação era problemática: o ônibus levou cerca de 40 minutos para passar em frente ao Shopping Morumbi e, quando finalmente passou, estava bem cheio. De acordo com o site da SPTrans, o intervalo entre os veículos dessa linha, a 517J-10, durante o dia é de 10 minutos, em média. No entanto, a demora e a lotação já virou rotina para seus passageiros.

“Eu costumo esperar de 45 minutos a uma hora. Todas as vezes que o ônibus vem, por mais que você deixe passar, está lotado. Sempre, sempre está muito cheio. Ontem mesmo esperei passar dois ônibus, não dava pra entrar. Só consegui entrar no terceiro”, explica Andreia da Silva Borges, recepcionista. O trajeto de Andreia é da Avenida Vicente Rao, próxima à Avenida Santo Amaro, até a Praça Joaniza, na Avenida Yervant Kissajikia. “Todo dia só uso esse ônibus: não tenho outra opção para ir trabalhar”, lamenta.

Além disso, os problemas mecânicos são recorrentes na linha 517J-10. Segundo Simone Aparecida da Silva, fiscal da CooperLíder, cooperativa que monitora esses veículos, a frota é de 22 carros. “É uma linha longa, que tem buraco e pega muito trânsito. Desgasta demais, acabamos ficando sem carro para trabalhar. Infelizmente quem sofre são os passageiros”, explica. Nas cooperativas cada ônibus tem um dono. Assim, a reposição dos carros é menos ágil do que nas empresas. Na quinta, 10 carros estavam quebrados. Em algumas ocasiões, a linha já teve apenas 5 carros funcionando.

“O ônibus que peguei hoje de manhã (quinta-feira, 6) quebrou no meio do caminho. Depois de mais ou menos 20 minutos passou outro, que estava lotado. Mas entramos mesmo assim. Ou seja: tinham dois ônibus dentro de um”, conta Lucilia Faustina Neves, funcionária de limpeza que trabalha no Shopping Morumbi. A funcionária, que sai de sua casa no Jardim Selma às 5h50, afirma que naquele dia chegou atrasada no serviço. Assim como acontece com Andreia, a linha é a única que completa seu trajeto diário. “Por causa da faxina fico com os pés doendo, tenho quase 60 anos. Nunca tem onde sentar e ninguém me oferece lugar”, acrescenta.

Para o cobrador Robson Alves Silva o problema da linha é o trânsito: “A solução para mim seria corredor: na Berrini tem corredor e a gente pode usar, já na Vicente Rao não podemos, porque somos de uma cooperativa. Fora isso, muitos carros entram no corredor de ônibus, e aí demora muito”. Critica também a condição das vias paulistanas: “Do jeito que estão algumas ruas de São Paulo, não tem jeito. Qualquer coisinha estraga. O corredor da Interlagos, por exemplo, é cheio de buraco”.

O trânsito e a estrutura de algumas ruas de São Paulo explicam, em parte, a precariedade daquela linha. Mas, também não pode ser ignorada a escassez de opções das linhas de transporte coletivo para o moradores que percorrem esse trajeto diariamente. Dentre eles a senhora Lucilia, que, como tantos outros usuários, tem dificuldades para se locomover na região: “Espero muito. Teve uma vez que esperei uma hora, durante a semana. Aí ainda veio lotado, não parou”.

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