“Ser Outra”: qual o papel da mulher contemporânea?

Por Carolina Piai

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O espetáculo “Ser Outra”, dirigido e interpretado pela dupla Ana Paula Lopez e Paty Jaia, tem como eixo o universo feminino. Primeiro trabalho da Na Companhia das Meninas, trata-se da união de duas linguagens: dança e teatro. A temporada vai até o dia 23 de fevereiro, próximo domingo.

“Começamos a pensar na mulher no relacionamento, na sociedade: ela está sempre muito sufocada, muito presa a papeis. Tem que ser mãe, trabalhar fora e também cuidar de casa. São muitas obrigações sociais e muita pressão”, avalia descontente Paty Jaia, bailarina. O enredo do espetáculo se desenvolveu a partir dessa reflexão, que resultou em um trabalho de campo extenso: Paty e Ana Paula, atriz, conheceram Delegacias de Defesa da Mulher e participaram de grupos de ajuda a mulheres vítimas de violência física e psicológica.

No palco, por entre passos de dança contemporânea, a protagonista é “uma mulher que entra no sótão e acende uma lâmpada. Lá, descobre uma cadeira velha e uma mulher que representa o avesso dela. Essa mulher defrontará com seus medos, a levará para sua sombra”, relata a bailarina.

Assim, perpassam temas como a imposição de um padrão de beleza feminino e a violência contra a mulher. O sofrimento envolvido nessas questões é poetizado no espetáculo. “Aflição de ser eu e não ser outra”: é bradado no seu desenrolar, em referência à Hilda Hilst, poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. A pintora mexicana Frida Kahlo é uma das inspirações estéticas de “Ser Outra”, já que, de acordo com Paty, transformou sua vida fadada ao sofrimento em encantadoras obras de arte.

“Na peça eu me emocionei, e me emociono agora. Não me sinto livre para fazer o que quero, para ser quem sou”, conta Fátima Lopes, administradora de empresas. Fátima se identificou com a performance do início ao fim: “Eu vi em cena toda aquela agonia da mulher realmente tentando sair de dentro dela, de mostrar quem realmente é, e a luta dela nesse processo. Eu sinto essa luta dentro de mim”.

“Ser Outra” está em cartaz no Complexo Cultural FUNARTE, na Alameda Nothmann, 1058 – Campos Elísios, São Paulo. As apresentações acontecem aos sábados, às 20hs, e aos domingos, às 19hs. Os ingressos custam R$20. Estudantes têm direito à meia-entrada mediante apresentação de documento que comprove vínculo com uma instituição de ensino.

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