Coletivo promove assembleia na Praça Roosevelt para discutir violência

Por Isabel Harari, via MyFunCity

Depois de reunir cerca de 200 pessoas no Teatro Heleny Guariba,  na praça Roosevelt, no dia 25 de fevereiro, o coletivo Arrua resolveu realizar nesta quinta-feira, 6 de março, uma assembléia em praça pública para discutir a violência. O fio condutor do debate do dia 25 foi a política de genocídio da juventude negra e periférica levada a cabo pelo Estado. “Os assassinatos têm cor, endereço e classe social”, colocou Max B.O, rapper, repórter e um dos convidados da noite.

Na cidade de São Paulo, estima-se que a Polícia Militar tenha cometido mais de 430 homicídios apenas no primeiro semestre de 2012. O número significa um aumento de 53% nas mortes resultantes de ações da PM, segundo o Mapa da Violência de 2012. Ainda segundo o estudo, o número de homicídios de brancos, entre 2001 e 2010, diminuiu de 27,5% (de 18.852 para 13.668), enquanto a morte de negros aumentou em 23,4% (de 26.952 para 33.264) no mesmo período. Em 2010, 49.932 pessoas foram vítimas de homicídio, destas, 70,6% eram negros.

A proximidade do cinquentenário do golpe militar trouxe à tona outro debate: a origem da violência, e mais especificamente, a truculência da policia militar. A inexistência de justiça de transição entre a ditadura e a democracia promoveu a continuidade de práticas e valores do contexto militar. A inexistência de punição, ontem e hoje, é uma realidade a ser combatida. “Hoje há resquícios da ditadura, pois não houve uma transição efetiva, apenas acordos”, explica Roberta, militante do coletivo Desentorpecendo a Razão (DAR).

 A campanha “Por que o senhor atirou em mim?”, puxada pelo coletivo Arrua, busca questionar o papel da policia militar e das demais práticas violentas do Estado, que corroboram para os números alarmantes de assassinatos e desaparecimento. A pergunta faz referencia ao caso de Douglas Rodrigues, de 17 anos, negro e morador da zona Norte, morto em uma abordagem policial no fim do ano passado. O jovem passava por um bar quando carros da polícia pararam para averiguar uma ocorrência de “perturbação de sossego”. O policial militar Luciano Pinheiro Brito disse que sua arma esbarrou na porta do veículo sem querer e atingiu Douglas no peito. Segundo testemunhas, o menino teria perguntado ao homem fardado porque havia atirado nele.

“A pergunta que temos que fazer é porque a gente atira?”, questiona Max B.O.  “É preciso que haja a desmilitarização da polícia”, continuou. Repensar o modelo policiamento do país, desvinculado das heranças da ditadura militar se faz necessário. No dia 6 de março (quinta-feira) ocorrerá uma assembleia aberta e livre na praça Roosevelt para debater os rumos da política de segurança pública.

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