Sobre Arouca, garis e médicos: existe racismo no Brasil?

Por Bira Iglecio

“O futebol é um espelho da nossa realidade”. Foi com essa frase que o volante Arouca, do Santos, fez um golaço muito maior do que aquele que realmente balançou as redes contra o Mogi Mirim, onde ocorreu mais um lamentável caso de racismo no futebol. Arouca foi chamado de “macacão” e foi mandado de volta à África por uma parcela de torcedores da equipe adversária.

arouca-treina-no-ct-rei-pele-1365797501122_615x300Arouca: até quando o país de Pelé oprimirá seus jogadores negros? (Foto: Reprodução)

Técnicos, jogadores e ex-jogadores se mostraram indignados e se questionavam como em tão pouco tempo apareceu mais um caso racista nos campos brasileiros?

Se questionavam porque, semanas atrás, o árbitro do campeonato Gaúcho, Marcio Chagas da Silva, encontrou seu carro destruído e com duas bananas presas ao para-brisa de seu carro. E lembravam que há um mês, Tinga, volante do Cruzeiro, ouviu barulhos de macacos, vindo das arquibancadas, toda vez que pegava na bola.

Mas voltando à frase de Arouca, tamanha é a verdade que assusta. Se torcedores se matam por uma camisa, não é sem querer. Moldados por um sistema que alimenta a vingança, fazendo com que seres humanos se tratem como competidores, todos se atacam. Qualquer diferença vista no outro, é motivo para competição. Sem saber, seguem a lógica do sistema, exterminando e oprimindo. Reflexos disso são os casos de preconceito e violência no futebol.

Quando perguntaram para Lucas Lima, meia do Santos, sobre o acontecimento com Arouca no último jogo da equipe, o meia respondeu: “É vergonhoso. Falamos que aqui não tem, mas é um dos lugares que mais existe racismo”.

O jovem jogador do Santos tocou em uma colmeia de abelhas: a existência do racismo no Brasil, apesar de evidente e assassina, é negada por uma parcela da população, que tenta atribuir aos aspectos exclusivamente financeiros o preconceito racial. Para discutir a questão, uma foto, que vale mais que mil palavras: a prova do apartheid racial no país.

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A luta é de todos. Nos solidarizamos com o caso de Arouca, Marcio Chagas e Tinga, assim como todas as outras vítimas de preconceitos racistas, por opção sexual, questões sociais… Assim como declarou Tinga, todos deveríamos querer trocar títulos conquistados na profissão pela vitória contra o racismo, pois, antes de sermos competidores dentro do sistema, somos seres humanos, iguais.

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