Terceiro Ato contra a Copa do Mundo é só paz e amor

Por Vinicius Costa Martins

O 3o ato contra a Copa do Mundo foi um ato peculiar peculiar.

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Foi a primeira vez que praticamente não houve violência e a manifestação conseguiu terminar com menos de uma dezena de presos. Se esperava o contrário para esse dia 13 de março, já que no último ato ocorreram mais de 200 prisões por conta da famigerada Tropa do Braço. Não que os policiais jiujiteiros não estivessem lá para dar uns cascudos na galera mais atirada, mas dessa vez a ação policial respeitou muito mais o direito de manifestação pacífica.

O ato começou no Largo da Batata às 6 da tarde, próximo ao metrô Faria Lima, com a reunião de diversos grupos de esquerda. Em sua maioria, tratavam-se de movimentos anti-capitalistas como o coletivo RUA, Juntos!, Território Livre e Black Blocs, movimentos estudantis como o Coletivo Construção, Anel e estudantes organizados FFLCH, e partidos como Psol, PSTU e PRC. Havia também a presença de trabalhadores organizados, como a CSP (Central Sindical Popular) e pequena parcela do sindicato dos metroviários, mas em essência o movimento foi composto pela juventude. Ou seja, uma manifestação totalmente de esquerda na qual se ouvia o tempo todo gritos a favor da estatização do transporte público e tarifa zero, o principal mote do ato. Um cenário bem parecido com o começo das manifestações de junho, como pode-se observar pela convocação feita para a próxima manifestação.

Bem animados com baterias, dancinhas e bandeiras, os manifestantes sairam do Largo da Batata por volta das 7, já reunindo quase 2000 pessoas. A PM, sempre cercando os dois lados da rua, acompanhou o ato sem oferecer resistência pelo caminho, ainda que ouvindo o tempo todos os gritos possíveis a favor da desmilitarização.
Ancorada também pela vitória dos garis no Rio de Janeiro, a manifestação seguiu tranquilamente pela Av.Rebouças até a altura do Hospital das Clínicas, onde ocorreu o primeiro princípio de tumulto por conta da não identificação de muitos PMs, principalmente os do batalhão do Choque. A desculpa, segundo o coronel encarregado por alí, foi que os uniformes eram novos e por isso “não deu tempo de costurar os nomes”.

Dalí, a manifestação seguiria até o MASP com tranquilidade, onde se encerraria o ato. Logo na chegada ao vão, pareceu-se, porém, que o clima de paz logo terminaria.

Outro princípio de confusão, com correria dos policiais e até uma bomba de efeito moral, se iniciou, mas não houve resistência por parte dos manifestantes e o ato prosseguiu pela Av.Paulista. Pouco a frente, outro princípio de tumulto se instaurou quando um homem, que passeava com um daqueles cachorrinhos de bolsa de madame, brandou contra os manifestantes, acusando-os de assassinos e responsáveis pela morte do cinegrafista da Band Santiago Andrade. Não é preciso dizer que os ânimos se exaltaram e parte dos manifestantes, principalmente da mídia alí presente, passou a vaiar o passante, que, obviamente, após ser chamado de alienado, isso e aquilo, ficou quietinho na miúda.

Logo após o episódio do cara com o cachorrinho, o que ocorreu alguns passos depois daquele Starbucks do lado da praça em frente ao MASP, um policial foi acusado de agredir uma mulher e o clima esquentou de vez, e a polícia começou a fazer aquele showzinho de homens organizados batendo nos escudos posando pra foto. (link foto policial)
Nisso, alguns black blocs, posicionados na esquina da cafeteria, arremessaram algumas pedras nos policiais e logo o reforço de novos uniformes veio correndo. Ainda assim, não houve correria e o tumulto logo se apaziguou. Os policiais, é claro, fizeram uma barreira em frente ao Starbucks.IMG_7602

Na mesma hora, já com os ânimos acirrados, os black blocs, que até então se misturavam na multidão sem tomar um corpo estruturado dentro do ato, começaram a agir. Não demorou muito e logo a agência do Itaú apareceu com as vidraças da entrada todas quebradas.

A partir daí, o clima começou a ficar mais tenso e mais viaturas foram chegando. Chegou a se estruturar um cerco aos manifestantes e parecia que a hora da Tropa de Braço ia chegar. Nessa hora, manifestantes acusaram um policial, que girava o cacetete quando cheguei, de bater numa mulher. Vale ressaltar, que foi quando um policial deu um tapa na cara de uma mulher no segundo ato de junho que houve o primeiro linchamento a um PM nas manifestações. A represália veio no ato seguinte, no fatídico 13 de junho que a história todo mundo já conhece. Mas dessa vez não houve linchamento.

Os Black Blocs, porém, com praticamente um quarto do contigente da polícia, decidiram não armar o cerco e o ocorreram apenas o tradicionais “uh uh uh”, com a polícia, que cercava a rua, dando espaço para que passasse a revolta popular, como diria quem estava presente.

O ato prosseguiu pela Av.Paulista sem maiores acontecimentos e, já sem a presença dos movimentos sociais, chegou ao metrô Paraíso com no máximo 200 pessoas, onde , finalmente, se deu por encerrado.

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