Claudia Silva Ferreira será lembrada com carinho

Projeto lançado pelo blog “Think Olga” convida pessoas a homenagearem vítima de assassinato cometido pela Policia Militar carioca
 
Ilustração de Nana Medeiros, integrante da Revista Vaidapé

Ilustração de Nana Medeiros, integrante da Revista Vaidapé

Por Isabella Amaral

Na manhã da última segunda-feira (17) as redes sociais foram inundadas por um vídeo intitulado “Viatura da PM arrasta mulher por rua da Zona Norte do Rio”. Começava aí a divulgação sensacionalista do assassinato cometido pela Polícia Militar do Rio de Janeiro a Claudia Silva Ferreira. Ao longo da semana, o vídeo foi exibido nos principais telejornais do País e Claudia se tornou a “arrastada”. Ela era mãe de quatro filhos, completaria 20 anos de casada em setembro. Morava no Morro da Congonha, em Madureira, trabalhava como auxiliar de serviços gerais no Hospital Naval Marcílio Dias e levava o apelido de Cacau.

Denúncias de barbáries como esta são importantes e não devem cessar, mas sensibilização é fundamental. Foi por isso que Juliana de Faria, jornalista criadora do blog Think Olga, lançou na tarde desta quarta-feira (19) o projeto 100 Vezes Claudia: um convite a quem quiser a prestar homenagens a Claudia através da arte. Podem ser desenhos, textos, fotografias, músicas, poesias… Juliana pretende imprimir algumas homenagens e enviar à família de Claudia. “Minha vontade é devolver aquilo que a brutalidade da Polícia Militar tentou tirar da Cláudia: sua humanidade” explica.

Em menos de 24 horas, o projeto recebeu mais de 80 adesões e já alcançou sua meta. Entre os artistas conhecidos figuram nomes como: Anna Mancini (criadora da personagem Manzanna), Aline Valek, Fabi Secches e Thiago Thomé (do blog Confeitaria), Tailor, Taline Schubach, Didi Helene (ou Crocomila) e o site Catraca Livre. Mas grande parte das contribuições vem de desenhistas amadores, como Keks Pucci, que declara “Estou um pouco envergonhada de mandar meu desenho porque não sou artista, mas a história de Cláudia me toca demais para não participar”.

As homenagens falam de tudo: algumas lembram que Claudia saiu de casa para comprar pão, outras citam suas qualidades, grande parte clama por justiça e respeito e existem até aquelas que relembram que Cláudia era uma mulher negra e moradora da periferia – vítima do machismo e do racismo brasileiros, da sorte no Morro e da Polícia Militar. “Estou emocionada. De verdade, emocionada com o carinho, o amor e o respeito que as pessoas querem dividir com Cláudia, sua família e o projeto”, conclui Juliana.

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