Pelo direito à manifestação, coletivos ocupam Teatro Oficina

Por Guilherme Almeida

1974979_697980183556042_138144666_n(Foto: Reprodução/Facebook)

Ocorreu na noite de quinta-feira (20) um ato político-cultural chamado “Manifestar-se é um Direito”. O evento foi convocado após debates e assembleias sobre a desmilitarização da polícia no Brasil. A campanha é fruto da união de diversos coletivos e movimentos sociais que se mobilizam contra a repressão policial e a criminalização de lutas populares.

Cerca de 500 pessoas se encontraram no Teatro Oficina, do diretor Zé Celso, foco de resistência durante os anos de ditadura militar. “Até hoje é a mesma coisa, a ditadura não acabou. A gente tem sim, uma liberdade relativa nesses espaços (teatro), mas quando vai se expressar na rua aparace um Robocopa e usa táticas de guerra contra a população”, explica o artista, fazendo referência à repressão promovida pela PM em manifestações contra a Copa do Mundo no Brasil.

“Não estamos avançando no Brasil, pelo contrário, estamos retrocedendo em liberdades individuais e em outros pontos”, disse o deputado federal Ivan Valente (PSOL), em sua participação, entre diversas intervenções artísticas. “O que vemos é um aumento no reacionarismo, do racismo, da homofobia e na repressão aos movimentos sociais”, concluiu o deputado.

Entre os artistas presentes estava o principal articulador da Cooperifa, um dos maiores saraus de São Paulo. Sérgio Vaz se disse feliz por ver uma maior movimentação acerca da repressão policial, mas ressaltou que foi necessário que a classe média sofresse com bombas de gás lacrimogênio na avenida Paulista para lembrar que a juventude da periferia estava sendo exterminada cotidianamente. O poeta encerrou sua intervenção convocando todos a participarem das mobilizações pelo direito à manifestação. “É luta, vai doer. O pessoal tem que sair do facebook e ir pra rua. Na internet tem muito Che Guevara pra pouca Cuba.”, disse.

Mais manifestações estão sendo planejadas para as próximas semanas. No dia 1 de abril, um grande ato convocado inicialmente pelo MTST promete dar mais força a campanha contra a criminalização dos movimentos sociais.

Contexto

O Governo Federal deve enviar ao Congresso um Projeto de Lei que visa regulamentar manifestações populares. O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo adiantou alguns pontos na lei que deve tramitar em regime de urgência constitucional, que fará com que a pauta da Câmara, onde será inicialmente apreciada, seja trancada em no máximo 45 dias caso a proposta não seja votada. Segundo o ministro a intenção é impedir uso de máscaras e impedir atos que não sejam comunicados previamente à autoridades.

Contra essa regulação, que promete dificultar muito qualquer manifestação, e contra a violência da PM a campanha “Por que o senhor atirou em mim?” lançou uma petição pública que já conta com assinatura de mais de 900 personalidades e movimentos sociais. A petição como pode ser consultada no link http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR69856

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