O impacto do calendário do futebol no preço do ingresso

Por Paulo Motoryn

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Um episódio recente envolvendo a venda de ingressos para um jogo do Palmeiras simboliza um dos traços da atual lógica da comercialização de bilhetes no Brasil. O aumento dos preços para assistir às partidas de futebol profissional no país é resultado de um processo complexo, no qual as entidades organizadoras escancaram contradições que apontam um esporte cada vez menos popular e acessível para o grande público.

Dentre os diversos fatores que determinam a elevação dos preços está o atual calendário do futebol brasileiro. O fato de só os maiores clubes possuírem campeonatos organizados durante toda a temporada, faz pequenas agremiações terem apenas alguns meses de competição profissional ou de oportunidades para enfrentar times grandes. A questão, além de representar graves questões trabalhistas para os atletas, tem seu impacto no valor dos bilhetes.

O confronto entre Palmeiras e Bragantino, na quinta-feira, pelas quartas-de-final do Paulistão, é um exemplo concreto. Como a partida é eliminatória e em jogo único, a equipe do interior obrigou uma situação desconfortável por ter direito de influir no preço dos ingressos. A diretoria do Braga, receosa pelo jogo ser possivelmente o último da equipe no torneio e, por consequência, a derradeira partida do ano contra um time de grande porte, exigiu que o valor dos bilhetes subisse, como forma de aumentar sua renda do evento.

A classificação na primeira fase do Paulistão, com exaustivos 19 jogos distribuídos em cerca de três meses, sem mobilizar grandes públicos nem a atenção da imprensa, de nada vale para o Bragantino, afinal a partida com o Palmeiras pode eliminá-lo em apenas 90 minutos. A derrota ainda dizimaria a possibilidade do time enfrentar uma grande equipe num futuro próximo, fato de grande importância para as finanças de um clube do porte do Braga. A saída? Elevar ao máximo o preço dos ingressos do jogo.

Em uma reunião promovida pela Federação Paulista de Futebol (FPF), o Palmeiras, que já estava vendendo ingressos para o jogo antecipadamente, pediu que o preço do Tobogã fosse de R$ 30. A equipe de Bragança bateu o pé: exigia R$ 60 para o setor de pior visão do campo de jogo. A FPF interviu no conflito e fechou o valor do bilhete em R$ 40. Resultado: a diretoria alviverde, segundo nota oficial, “decidiu manter o preço, subsidiar seu torcedor e pagar a diferença ao adversário”.

A situação acusa como a desorganização das entidades responsáveis pelo calendário das competições impacta no valor que o torcedor paga para assistir seu time. Desta vez, por sorte, a diretoria palmeirense arcará com os custos. No entanto, fica clara a ineficiência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em organizar suas competições de forma justa e democrática, o que contribui para aprofundar a elitização dos estádios, cada vez mais entregues às grandes e lucrativas corporações.

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