Por moradia digna, Ocupação Esperança interrompe tráfego de rodovia

Por Vinicius Martins e Roberto Oliveira

Há mais de sete meses em Osasco, a Ocupação Esperança ainda não conseguiu uma negociação com a Prefeitura

Agitada desde a madrugada desta quarta-feira, quando o nordestino Seu Mateus animava os notívagos ansiosos tocando habilidosamente sua sanfona, a Ocupação Esperança chegava a pouco menos de um mês de seu possível fim. Pouco se passava das 5 da manhã e o número de pessoas na entrada da ocupação foi crescendo. Ao todo, cerca de 300 pessoas do movimento, organizadas pelo Luta Popular, compareceram para realizar um ato político para tentar contornar a situação.

Foto: Vinicius Costa Martins

Foto: Vinicius Costa Martins

A estratégia era interromper o tráfego na rodovia Anhanguera, uma das principais vias de acesso para quem vem do interior do estado de São Paulo até a capital. O objetivo era chamar a atenção dos principais meios de comunicação e assim ecoar com mais pressão as tentativas de negociação já solicitadas para que o prefeito de Osasco Jorge Lapas (PT) analisasse a questão da ocupação numa área privada do Jardim Três Montanhas, localizada no município de Osasco.

As negociações não chegaram ao menos a ser consideradas pelo prefeito, sob justificativa, é claro, de que o problema da moradia irregular não era do poder público e sim dos moradores com o proprietário do local. No entanto, o que se sabe é que quem comanda  a violência na retirada das ocupações é o poder público, como no repertcutido caso do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP).

Contudo, como a reintegração de posse, expedida pela Justiça e requerida pela Kady, empresa proprietária do terreno, havia sido suspensa até o dia 18 de abril por conta de uma liminar movida pelo Luta Popular, movimento de moradia que lidera a ocupação, se conseguiu mais fôlego para que a ocupação tentasse mais negociações, o que até hoje não ocorreu em mais de sete meses de tentativa.

O que não se contava tão logo era que esse adiamento da liminar, conseguido no dia 13 de março, fosse suspenso pela Justiça. A partir dessa decisão, o dia 18 de abril seria a data a inaugurar as tentativas reintegração de posse poderia , ainda que até então não houvesse nenhuma negociação com a Prefeitura. Sendo assim, a necessidade de ação para que novamente os moradores não fossem despejados novamente era iminente.

O ATO

Os manifestantes saíram do terreno da ocupação Esperança por volta das 6h30 em direção à rodovia Anhanguera. Gritando palavras de ordem como “com luta, com garra, a casa sai na marra” e portando faixas e bandeiras com as reivindicações do ato, eles fecharam a via com pneus queimados por volta das 6:50h.

Foto: Vinicius Costa Martins

Foto: Vinicius Costa Martins

Meia hora depois, já com duas vias no sentido São Paulo travadas, a PM chegou e abriu negociação com o advogado do Luta. Após a conversa, o movimento se comprometeu a liberar a via às 7:40h e realizou uma rápida assembleia para organizar a retirada. No horário combinado, o Luta Popular destravou a Anhanguera e voltou em marcha para a ocupação, onde houve uma assembleia de avaliação do protesto.

 

Segundo o advogado do Luta Popular, Avanilson Araújo, o ato teve dois objetivos: pressionar o prefeito de Osasco, Jorge Lapas (PT), a aceitar uma negociação por um projeto habitacional na região e expôr a situação dos moradores da ocupação Esperança à sociedade a fim de evitar um “novo Pinheirinho” – ocupação em São José dos Campos (SP) cuja reintegração de posse foi feita com extrema violência por parte da Polícia Militar.

O MOVIMENTO

A Ocupação Esperança começou quando cerca de 100 famílias passaram a morar num terreno vazio próximo à rodovia Anhanguera no final de agosto do ano passado. O movimento foi uma iniciativa do Luta Popular, movimento social de moradia, e é a terceira ocupação feita pelo mesmo grupo de pessoas.

Toda a movimentação ocorreu no dia 23 de agosto e já no dia 24 o proprietário do terreno apareceu com a polícia para pedir a retirada imediata, o que não ocorreu. Hoje, cerca de 700 famílias estão registradas e morando no terreno, que se tornou uma comunidade que virou esperança para os muitos que não têm para onde ir por conta do desemprego e do alto preço dos aluguéis que cresceram com a especulação imobiliária.

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