Max B.O. sobre rap e política: ‘A gente pode chegar longe e se manter perto da raiz’

Por Guilherme Almeida

Fotos por Matheus Bagaiolo Raphaelli

Max bo - por Matheus Bagaiolo Raphaelli2No meio da tarde, lá pelas 15h30, ele chegou no boteco acompanhado do repórter, do fotografo e seus amigos. Conforme caminhava, estendia uma mão para cumprimentar seu Dácio e escondia o chapéu pra trás do corpo com a outra. Quando eles estavam quase se abraçando, Max revelou o que trazia consigo: um presente para seu Dácio.

“Viu como ele ficou feliz com o chapéu? Ele tinha falado que queria ter igual num dia que eu estava usando. Eu até disse: ‘Esse eu não te dou porque estou usando, seu Dácio’. Cipá que ele tinha até esquecido disso. Mas eu fiz questão de lembrar. Aquela conta que a gente pendurou lá, duvido que ele cobraria”, explicou Max B.O., já no caminho de volta à sua casa, que fica na Vila Romana. Logo depois, já falava ao repórter e ao fotógrafo sobre sua relação com as origens mesmo depois da fama.

Max B.O., rapper e apresentador de TV, reservou toda a tarde de terça-feira para receber a equipe da Revista Vaidapé para uma entrevista. Estava bem à vontade em sua casa quando os dois jornalistas chegaram, uns dez minutinhos mais cedo do que tinham marcado. Marcelo, o Max, vive um dos melhores momentos de sua carreira, no momento em que acumula quatro anos de trabalho de qualidade na TV Cultura, a frente do programa Manos e Minas, e os lançamentos de duas Mix Tapes. Isso não impediu que ele inclusive mostrasse trechos de musicas ainda no processo de produção.

A entrevista começou, Max disse ”chega aí”, apagou o cigarro e começou a falar, sem frescura. Enquanto respondia as primeiras perguntas, o rapper vasculhava os arquivos do computador de seu estúdio caseiro à procura da músicas que complementariam suas respostas. Confira a primeira parte da conversa da Revista Vaidapé com o rapper Max B.O.:

Revista Vaidapé: O que você acha do funk ostentação?

Max B.O.: Eu não sou especialmente um fã, mas não acho que é um desserviço à música que se fazia antes. É uma música que saiu agora na frente das outras. Por exemplo, durante uma época quem tomou a frente do rap foi o gangsta rap, depois foi um rap romântico, agora tem um som com uma mensagem mais jovem.

VDP: É uma questão de fluxo então?

MBO: Um termo bom é esse mesmo. E é também uma forma de ter algo que a galera não pode ter. Você vê um cara, dentro de um Golzinho batedeira 1996, ouvindo uma música falando de uma Ferrari, tá ligado? Mas, ele ouve também um sertanejo que fala do Camaro amarelo. No rap gringo tinha um “2 Live Crew” que cantava esse bagulho. E eles tinham uma pegada miami bass, que é o ritmo do funk hoje.

VDP: Você acha que por herdar as bases das músicas, o Brasil acaba por herdar também os fluxos da temática das músicas dos Estados Unidos?

MBO: Um pouco. Mas, não só no funk, no rap também. No rap a gente acaba colocando mais o jeito brasileiro através do método de produção.

Max bo - por Matheus Bagaiolo Raphaelli8VDP: Quem faz rap tem obrigações especificas? Com o passado, com os Mcs mais velhos?

MBO: Não necessariamente. Tanto que se vê muito desse argumento: “Eu faço tal coisa diferente porque sou uma pessoa diferente”. E tá certo. Muita gente se enrola em certos discursos também: “Eu estou levando o rap para um novo patamar”. Mas por que o rap tem que sair do patamar que está? O rap é minha vida há mais de 20 anos, minha relação com meus amigos, meu trabalho. Eu fiz meus pais gostarem de rap, por mostrar todos os lados dele, não só um. Acho muito importante o discurso do “o rap me salvou”, ele abre caminhos para outras coisas. A partir daí tudo depende de você.

Acho que a pessoa só rouba ou mata se quiser, assim como o cara só vai bater uma laje se ele quiser. Então não tem essa história. Se não fosse o rap eu seria office boy no escritório ainda, meus amigos ainda seriam os mesmos.A gente pode ir longe e se manter perto da nossa raiz.

VDP: Qual é o seu método de produção? Você gosta de estar envolvido em todas as etapas?

MBO: Agora tenho participado bastante de todas. Mas antes tinha muito essa coisa de eu pegar uma batida que eu gostava, ai pro estúdio e trabalhava só no mapeamento. Agora como o Uzi divide o homeoffice aqui comigo eu tenho até ajudado ele a compor umas batidas. Mas, não sei de teoria musical.

VDP: Você acha que precisa saber?

MBO: Não precisa saber, mas é bom. Eu até falo isso quando vou fazer workshops: se você tiver a oportunidade de tocar um instrumento, vai ser um diferencial. No meu caso, eu sou um MC e não só um Rapper. Esse tem a coisa de só cantar o rap, já o MC é o mestre de cerimônias. Então eu canto samba, rimo em drumandbass, em reggae. Eu tenho escrito vários sambas, já tenho quase 20 compostos. As vezes eu sinto falta de não saber teoria, quando eu vou em alguma roda de samba, tenho que cantar um pouquinho no ouvido do cara para ele saber que nota é e me acompanhar.

VDP: Já está gravando esse projeto de samba?

MBO: Ainda não, mas esse ano eu começo a gravar um disco só de samba. E não é esse negócio de rimar como no rap só que no ritmo do samba. É rima de samba. É uma metrificação diferente.

Max bo - por Matheus Bagaiolo Raphaelli3VDP: Já pensou nas parcerias para esse projeto?

MBO: Ainda nada fechado. Estou sondando uma galera, uns amigos meus do Vai-Vai.

VDP: E as parcerias para seus projetos de rap?

MBO: Eu terminei agora a mixtape, ‘Fumasom volume 1’, que está indo pra fábrica. Ela foi toda produzida pelo Uzi e tem várias participações. Eu sempre tento gravar com amigos com quem ainda não gravei. No fim das contas sempre chamo meus amigos. Não dá pra ser aquela pessoa só porque eu sou fã dela. Até porque muitas das pessoas que eu era fã na minha adolescência são meus amigos hoje em dia.

VDP: Tipo quem?

MBO: Tipo o Seu Jorge, o D2, o Kl Jay, Edi Rock, o Brown, o Thaíde… Aí, você vai correndo atrás de quem você não gravou ainda. E você sabe que cada um tem suas agendas, seus estilos. As vezes tem que compor um som especial pra chamar o cara.

VDP: Você convida o amigo para compor do zero ou apresenta um projeto?

MBO: Eu já vou com a ideia na cabeça. Tenho que dar o mínimo de trabalho para os caras, né.

VDP: Quem você quer como parceiro num próximo trabalho?

MBO: O Dexter, com certeza. Além de ser amigo pessoal, tem uma música que eu acho que tem muito a ver com ele.

VDP: Você consegue se isolar para trabalhar em um só projeto de cada vez?

Não. Por mais que eu esteja focado em algo, eu to sempre fazendo outras coisas. Eu nem gostaria de me fechar assim, porque iria me limitar um pouco. Por exemplo, eu não posso deixar de toda segunda ir pra TV gravar o Manos e Minas. Eu estava fazendo a ‘Fumasom’, as músicas tem uma levada mais suave, mais tranquilas. Mas, um dia depois de uma conversa que eu tive com o Douglas Belchior, não dá pra fazer uma música para a ‘Fumasom’. Então não posso me prender a só compor o que cabe naquela mixtape. Até porque as vezes é o contrário, eu quero fazer a música de tal jeito e ela não vem.

Max bo - por Matheus Bagaiolo RaphaelliFIM DA PRIMEIRA PARTE

Depois disso, a conversa da Revista Vaidapé com o rapper ainda durou muitas horas. Mano Brown, Emicida, periferias, Polícia… A segunda parte da entrevista você confere, em breve, aqui!

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