Bota fé que Vaidapé!

Por Lucas Pazetto

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Ilustração: Matheus Bagaiolo Raphaelli

Esse texto não fala de política, da luta de classes ou dos preconceitos. Não fala da moeda e nem de suas guerras como de costume. Na maioria dos canais midiáticos talvez fosse barrado ainda na caixa de e-mail, porque ele fala de algo que parece já estar batido. Inclusive pelo fato de seu tema ser insistentemente vinculado a questões que nem sempre lhe pertenceram. Talvez por isso eu tenha pensado tanto antes de escrevê-lo. ”Será que o leriam? Será que o dariam crédito?” Mas então lembrei que estou cercado de pessoas que compartilham desse mesmo sentimento que eu.  Esse texto fala da fé.

“Ah… Que saco! Mais um texto sobre religião?!”

Bom, se você pensou isso, cometeu um grande erro. Sua briga é com a crença e não com a fé. Esse texto fala de uma força que não é mística e provém de nossos corpos. Ela é a energia de nossas ações focalizadas em algo. Seja num Deus, num sonho, em uma pessoa ou em si mesmo (aí a crença). Mas o fato é que ela move, porque renova e é renovada por nossos motivos.

Hitler tinha fé! Numa crença desastrosa, mas tinha fé. E sua fé era tão grande no que fazia que o mobilizou. Fez ainda com que os outros também se mobilizassem. Seus soldados foram contaminados com suas crenças e colocaram sua própria fé a disposição dessas (roubada!).

Outro dia durante uma viagem de ônibus, ouvia uma senhora conversar ao lado. Louvava o “Senhor” ao final de cada frase. No começo achei um pé no saco. Mas depois percebi que o chato era eu. Enquanto escutava suas histórias pude ver tudo o que sua fé, atrelada a sua crença, lhe proporcionara:

Largou a vida de doméstica “Glória ao senhor”
Começou a estudar “Glória ao senhor (de novo)”
Conseguiu um novo trabalho e hoje ajuda uma população ribeirinha com o plantio e educação “Glória ao senhor três vezes! (esse foi meu)”

Quer dizer, quem sou eu para julgá-la? Alguém que louva o Facebook ao final de cada refeição (principalmente quando a comida é japonesa)? O fato é que tanto ela quanto Hitler possuem fé e isso se dá, em grande parte, porque têm seus objetivos bem esclarecidos. A diferença é no que e para que tal força é depositada.

Mas e nós? Em que cremos hoje? Pelo que nos movimentamos? Por um carro novo na garagem? Pelos interesses de nossos chefes? Penso que o mais sensato para respondermos à isso é nos imaginarmos em outra sociedade. Outro tempo, outras relações com o mundo. E então nos perguntarmos: o que me faria feliz lá e por quê? É só uma sugestão, mas se você parar para pensar bem, vai ver que grande parte das coisas pelas quais você preza hoje seriam ínfimas ou nem ao menos existiriam.

Mas para não ficar parecendo que fé é a mesma coisa que força de vontade, chamo ao palco meu grande amigo Renato Russo:

‘’É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há’’.

Além da crença no amor, ele toca num ponto interessantíssimo: não temos garantia de nada. Há ocasiões na vida em que fazemos tudo certo, conforme o planejado, nos eixos, e mesmo assim tudo cai por água a baixo. Ora, isso não significa que foi o destino ou algo do cosmo, mas sim que o correr da carruagem não depende só de nós, mas do mundo a nossa volta. Aí que a fé entra, mais ou menos como uma irmã da esperança. Quando se têm fé no que se faz, sobre suas próprias práticas, no mínimo se tenta. Mesmo sabendo que a garantia já vêm expirada.

É como Martin Luther King falou:

“Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo”.

Bom, lembra do começo desse texto? Pois é, se você o estiver lendo… Cá estamos nós, no segundo degrau!

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