Velinha, Velhinhas e Combustão.

Por: Felipe Ferreira

Por: Wikimedia Commons

Por: Wikimedia Commons

Amanhã é 23…

Intertextualidade musical forçada para fazer referência à quantidade de dias e

velas.

– Nota de 30. (‘A CRISE’, não é de 29?).

Chegou a hora (…).

Em cada data querida assino meu atestado de incompetência pra vida.

Mais um ano me engole, mas…

Um sopro que tem ida e volta, de seguir e cada vez mais perto partir.

– Não sei falar, aprendi.

A fita corre demais, a fanhosidade me incomoda… Digo escrevendo, jogo

palavras, distribuo carapuças e destilo ironias.

Cansei desse ‘xerú mole’ de parceiro pra lá, parceiro pra cá. O LP não

muda, a melodia do ‘devagar e sempre’ perpetua-se.

– É muita bossa nova para quem nasceu no berço do samba de roda, e cresceu

com o Axé.

Uma dança em círculos onde o tonto da valsa é o bolo. Tolo!

Chega de trabalhos na fé. Vamos aos trabalhos na carteira, a de trabalho

e a de sobrevivência.

Quando engatinhamos queremos andar. Quando andamos, queremos

dirigir sozinhos. Quando dirigimos sozinhos, sem manual algum, sem

guia, queremos voltar a ser paralíticos, e boiar nas águas quentes,

calmas e seguras.

Era uma criança normal – ou achava que fosse – penteava os cabelos da

Bárbara e chutava a canela do Juca no ‘baba’ na hora do recreio.

Surpresaaaaaaaaaa!

Nunca vi essa cena. Não que ‘isso’ – pronome demonstrativo sem dose

alguma de desdém – tenha me provocado traumas agudos, ou complexos

crônicos.

– Quem disse que surpresa precisa de data?

E o inferno astral um mês antes da próxima vela? Existe ou é mera factóide

astrológica?

-Sei lá!

Só sei que, coincidência ou não, uma semana antes dos meus… Eu

cheguei atrasado no trabalho, fui assaltado no caminho de casa, tive uma

infecção intestinal por comer um ovo poché – de codorna – (agradeci por

não ter sido de avestruz), e achei um pentelho – albino – no café preto,

amargo e sem açúcar de todas as manhãs.

– É pra acreditar no capeta ou não?

E o primeiro pedaço vai para…

– NÃO!!!!!

Sim, sim, tem o pedido primeiro.

– Ah… O pedido. Mais um?

Só é um mesmo? Não, não é usura. É necessidade.

Quanto mais a gente tem mais a gente precisa ter. É o mantra do

capitalismo, que até o mais ateu dos deuses terrenos rezam, crentes que

estão erguendo a foice e o martelo em brasa e ensopados de sangue.

23 (São).

365 (dias)

01 (ano) tem.

07 (dias) – uma vela

08 (horas por dia) – trabalhamos.

—-

244 (horas) de trabalho totalizando.

12 (meses) contando que o ano tem.

2.928 (horas) total trabalhadas por ano.

Tô cansado (ainda não pude chutar o pau da palafita e findar o verbo) desse

jornada.

RÁ-TIM-BUM!

Quando eu era criança não era assim.

Não tinha o que pagar. Não tinha com o que se preocupar.

Minha ‘árdua’ tarefa era só usufruir , de tudo! E conseguir respirar a ‘velhice’

soprando velas de vida em combustão.

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