Contra decreto de Haddad, festival é organizado por artistas de rua

Por Alan Felipe

No último sábado (05/04), ocorreu na ensolarada tarde do Largo São Bento um festival alegre, cheio de música, dança e malabarismo

Foto: Alan Felipe

Festival ocorreu como forma de protesto à decisão da Prefeitura (Foto: Alan Felipe)

A festa surgiu como resposta dos artistas de rua ao decreto assinado pelo prefeito Fernando Haddad (PT-SP) no dia 20 de março de 2014, que tenta regulamentar as intervenções artísticas na cidade de São Paulo.

O decreto nº 54.948 é resultado de uma pressão dos comerciantes ao poder público, já que atende mais aos interesses econômicos dos comerciantes da Rua 25 de Março do que ao dos artistas de rua. O documento impede que tenham intervenções artísticas a menos de 20 metros das feiras e a 5 metros das estações de metrô, além de precisarem do aval das subprefeituras.

Para protestar contra o decreto, a banda Cabaré Três Vinténs teve a iniciativa de organizar “O Festival Contra o Decreto” junto ao Teko Porã, The Lonesome Duo, Emblues Beer Bird, Chaiss na Mata e o Bardo e O Banjo, além de palhaços e malabaristas e todos os cidadãos que passavam para prestigiar o evento.

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Malabarismo e arte de rua: contra o decreto! (Foto: Alan Felipe)

O objetivo do evento, segundo os organizadores, era mostrar o “absurdo de tal regulamentação da atividade artística para o resto da sociedade civil”. Quem passava por lá, além de curtir a boa música dos grupos, recebia muita informação de quem falava no microfone. Vale também dizer que os artistas, além da queda do decreto, tinham uma preocupação com a limpeza do local. Espalharam sacos de lixo e pegavam as garrafas, latas e outras embalagens que os passantes deixavam.

Alessandro Azevedo, também conhecido como Palhaço Charles, fazia entusiasmados discursos durante os intervalos entre as bandas. Ele, que há 22 anos é artista e ativista, diz que a rua foi a sua grande escola e a maior forma de aprendizado. Para ele, “o órgão público deve dar a garantia para os artistas se apresentarem na rua e não tem que impedir ou enquadrar em uma forma em que imagina ser a melhor. Nós, os artistas de rua, sabemos qual é a melhor maneira, o melhor lugar e as melhores formas de nos expressarmos”.

Charles ainda garante que estão trabalhando de maneira organizada e que assim conseguiram uma reunião com o prefeito Fernando Haddad e com o secretário municipal de cultura Juca Ferreira, para que juntos conseguissem tirar o encaminhamento, o que deve ocorrer em até uma semana.

Ele ainda comenta que os artistas organizados, junto com a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, a Secretaria de Cultura e as subprefeituras, além de estudarem a participação da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania, reescreverão o decreto que em breve será sancionado.

O protesto contra o documento é resultado do engajamento e da participação dos artistas de rua na política municipal. Acreditando no envolvimento direto na democracia e na organização em coletivos, se envolvem em questões sociais e, dessa forma, conseguem pressionar o poder público em busca de conquistas para sua classe.

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