R$ 30 bilhões gastos e o salário continua o mesmo

Por Patricia Iglecio

Rodoviários e professores do Rio de Janeiro realizam greve durante essa semana e pretendem unificar movimentos para o 15 de maio

Rodoviários protestam nas ruas do Rio de Janeiro  (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

Rodoviários protestam nas ruas do Rio de Janeiro (Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

As greves dos professores e dos rodoviários no Rio de Janeiro paralisam a cidade durante essa semana. Ganhando destaque, o movimento dos motoristas e cobradores fez com que menos de 20% da frota de ônibus funcionasse entre terça-feira e quarta-feira (13 e 14). A greve na rede municipal de professores do Rio conta com 50% de adesão, e estadual com 30% – mas a população ainda não pode sentir diretamente seu impacto  pela escassez de ônibus circulando para levar os alunos às escolas.

Para a quinta-feira, 15 de maio, movimentos sociais se mobilizam contra a Copa do mundo em todo o país, e a expectativa dos trabalhadores do Rio de Janeiro organizados em greve é que as manifestações sejam de grande porte. De acordo com Mirna Maia Freire, diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do RJ (Sepe), estão sendo articulados fóruns de diálogos entre grevistas, e o movimento dos professores deve se somar nos protestos de quinta-feira com  os rodoviários mobilizados e os demais manifestantes.

Tanto o Sepe como a Comissão de Greve dos rodoviários vão realizar assembleia na quinta-feira (15) para definir quais serão as diretrizes dos movimentos. No caso dos motoristas e cobradores de ônibus, há resistência contra o acordo de reajuste salarial firmado entre as empresas de ônibus e o sindicato da categoria. Já os professores, afirmaram que diálogos de acordo com a prefeitura do Rio e com o secretário estadual de educação do Rio de Janeiro devem acontecer após a assembleia, que contará com grevistas da rede municipal e estadual.

No início do ano, a greve dos garis deixou a cidade o Rio de Janeiro em estado calamitoso durante o carnaval. A paralisação dos motoristas e cobradores remete à luta dos garis, ambas representam uma insatisfação e revolta tão grande contra as condições de trabalho abusivas, que nem mesmo negociações de “prateleira” feitas entre sindicatos e empregadores tem conseguido fazer o movimento sucumbir. A luta dessas categorias contra as explorações sofridas no cotidiano não é representada pelos seus sindicatos, e sim por trabalhadores revoltados com as injustiças.

(Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

(Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil)

Os rodoviários estão se mobilizando em assembleias desde o início de março, e reivindicam aumento salarial de 40%, fim da dupla função e reajuste da cesta básica de R$ 100 para R$ 400. No dia 11 de março, o Sindicato das empresas do ônibus (Rio Ônibus) negociou com Sintraturb (Sindicato dos Rodoviários do Rio de Janeiro) um reajuste de 10% no salário e de 40% na cesta básica. Os motoristas e cobradores não aceitaram o acordo e formaram Comissões de greve, apoiados pela Central Sindical Popular Conlutas.

Na segunda feira (12) houve uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ)  entre o Rio Ônibus, o Sintraturb e a comissão do movimento rodoviário em luta, que terminou sem acordo. As empresas de ônibus mantém o reajuste feito em março e indicaram que não vão ceder. Com isso, os trabalhadores determinaram a greve de 48h.

Na manhã desta terça-feira o Rio Ônibus entrou com uma ação contra os grevistas, e o TRT-RJ determinou que 70% dos motoristas e cobradores de ônibus no Rio de Janeiro deveriam trabalhar. Mais uma vez o movimento resistiu, e a cidade permaneceu com quase 90% da categoria em greve.

De acordo com Julio Anselmo, dirigente da Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre (ANEL),cerca de 20 grevistas foram presos durante a paralisação, muitos deles estão sendo perseguidos e impedidos de mobilizar a greve. Os advogados do Conlutas já soltaram cinco dos detidos.

Os professores, tanto na rede estadual quanto na rede municipal do Rio de Janeiro, revindicam reajuste salarial de 20%. Após as grandes manifestações em outubro do ano passado dos professores municipais, a prefeitura aumentou 14% do salário. A rede estadual está sem reajuste desde marco de 2013.

Para esta quinta-feira de luta nacional, denominada 15M, o Rio de Janeiro contará com o apoio dos movimentos de trabalhadores grevistas, saturados pelas degradantes condições de trabalho. Além dos manifestantes que iriam às ruas deflagrar os absurdos cometidos para a realização da Copa do Mundo, o poder popular estará presente e organizado através das categorias em greve.

Em uma consonância de lutas, as pessoas vão às ruas entender como um país que conseguiu realizar uma Copa com custo de mais de R$ 30 bilhões, não consegue garantir melhores condições de trabalho à categorias essenciais ao funcionamento social.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s