Protesto contra a Copa é Marcado Por Pluralidade e Pela Repressão da PM

Por Alan Felipe

Protestos tomaram as ruas de São Paulo durante o 15M (Foto: Guerrilha GRR)

Protestos tomaram as ruas de São Paulo durante o 15M (Foto: Guerrilha GRR)

Três anos atrás, no dia 15 de maio de 2011, foi organizada uma passeata em diversos lugares da Espanha contra as medidas econômicas neoliberais adotadas pelo Estado. Nas ruas, os gritos eram por um governo com maior participação popular. Ao fim de uma das marchas, em Madri, um grupo de 40 pessoas decidiu continuar com as reinvindicações, instalando um acampamento em Puerto del Sol. Na manhã seguinte, o grupo foi expulso do ponto turístico espanhol e, em solidariedade, milhares de pessoas foram à praça e permaneceram no local durante três semanas para continuar o protesto.

Assim surgiu o 15M, um movimento descentralizado e sem hierarquias que inspirou o Comitê Popular da Copa no Brasil, uma articulação horizontal e apartidária de movimentos sociais, organizações, coletivos e indivíduos. Entre as ações, se articulam para chamar diversos grupos para atos contra o mundial, deflagrando as arbitrariedades cometidas contra o povo brasileiro por conta do evento. Para esse dia 15 de maio que antecede a competição, inspiraram-se nas revoltas ocorridas na Espanha para considerar a data como o dia internacional de lutas unificadas contra a copa.

Os manifestantes brasileiros, assim como os espanhóis, passaram a agir através da ocupação do espaço público para escancarar o descaso do sistema às classes oprimidas. O discurso que veio da Espanha, país com forte tradição anarquista, se assemelha ao daqueles que estavam no ato paulista contra a Copa do Mundo: os empresários estão dominando a política e as medidas tomadas não beneficiam o povo.

A concentração para o ato em São Paulo começou às 17 horas na praça do Ciclista, animado pelo som das baterias de diversos movimentos. A Fanfarra do M.A.L. (Movimento Autônomo Libertário), um movimento voltado para as ações diretas e lutas autônomas realizou uma oficina de batuque para ensinar o ritmo aos manifestantes e cantar as palavras de ordem contra o Mundial.

Paralelamente, havia muitas atividades rolando: enquanto alguns desfilavam cartazes feministas, os prédios da Paulista eram iluminados com as pautas do protesto. Entre elas, o livre direito de manifestação e o fim dos ataques da polícia, braço armado do Estado, a exibição dos nomes dos operários mortos nas construções dos estádios, e a denúncia da isenção de impostos para a FIFA e empresas parceiras.

Antes que a multidão seguisse caminhada, ocorreu uma intervenção artística que convidou os manifestantes a pararam suas atividades e sentar para assistir. Um grupo simulou uma partida de futebol entre o “Time do Povo” e a “Elite”, com bastante humor, mas sem deixar de falar sério. O jogo-peça foi finalizado com o poema “Quando os trabalhadores perderem a paciência”, de Mauro Iasi, que reflete sobre o que poderá ser conquistado com as revoltas e manifestações.

Por volta das 18h50, as pessoas começaram a caminhar em direção ao Pacaembu, cantando as mais variadas palavras de ordem contra a Copa do Mundo. Em menos de trinta minutos, quando os manifestantes chegaram ao cruzamento da Av. Paulista com a Consolação, a polícia atirou a primeira bomba, que dispersou a manifestação em dois grupos, cada um para um lado.

Logo após a repressão da polícia, os discursos se tornaram quase que exclusivos contra a corporação, pedindo a desmilitarização e o livre direito de se manifestar. A PM ainda atirou mais bombas e usou helicópteros para procurar e intimidar os manifestantes.

Segundo a Polícia Militar, o protesto contou com 1200 participantes, os organizadores falam de 4 mil a 7 mil manifestantes. Houve oito pessoas detidas, que foram encaminhadas para o 78º DP e liberadas.

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