Guarda Civil invade espaço autônomo no Anhangabaú

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A ocupação Laboratório Compartilhado TM13, na Praça Ramos de Azevedo, Vale do Anhangabaú, foi atacada pela polícia na manhã da última quarta-feira (18). O espaço autogerido promovia atividades culturais abertas e gratuitas na região

Por Alan Felipe

A praça, ocupado neste ano pelo AnhangabaRoots, coletivo criado em 2011 e formado por amigos frequentadores da praça há dez anos, que conviviam harmoniosamente com artistas e moradores de rua que habitam a região. A terminação “roots” deve-se ao fato de raízes do hip-hop, reggae, funk e muitas outras estarem na mesma sintonia de propagar cultura.

No final de outubro de 2013, com a transferência da Escola de Bailado para a Praça das Artes, o prédio antigo ficou ocioso. Ao completar seis meses parado, o AnhangabaRoots juntou-se a outros coletivos realizando uma grande festa com cerca de 2000 pessoas, no dia 2 de maio, para ocupar o espaço e inaugurar o Laboratório Compartilhado TM13.

Nessa quarta (18), por volta das cinco da manhã, cerca de 50 agentes da IOPE (Inspetoria de Operações Especiais da Guarda Civil Metropolitana) quebraram o cadeado e invadiram o local, retirando, a socos e pontapés, todos que estavam lá dentro, incluindo crianças, mulheres grávidas e idosos. Os desalojados tiveram que ficar sentados no frio, sem calçados, cobertores ou pertences.

Wanessa Sabbath, integrante do AnhangabaRoots, acredita que o motivo da retirada forçada e violenta é político. O grupo proporciona por meio da arte um grande foco de protesto e resistência durante a Copa do Mundo. Ao lado da ocupação se encontra a FIFA Fan Fest, que invadiu a região do Anhangabaú, afastando os moradores em situação de rua do local, concretizando assim a festa da mega corporação futebolística.

Até a Subprefeitura da Sé manifestou apoio ao coletivo, afirmando em carta  que “os projetos vão ao encontro de nossos anseios de disseminação cultural e ocupação do espaço público”, completando que “o projeto deverá, durante o acontecimento da Copa do Mundo 2014, ser realizado em outro espaço da região – que será encontrado com o suporte da Subprefeitura para que o mesmo não seja prejudicado de qualquer forma ”.

O Secretário de Cultura Juca Ferreira sugeriu uma reunião com o coletivo na Casa Amarela, e se negou a comparecer ao Laboratório Compartilhado TM13. O secretário e o movimento se encontrarão sexta-feira para uma conversa. Enquanto isso, membros de ocupação e apoiadores mantém-se acampadas na grama da praça.

O grupo pede ajuda com comida, água, barracas, e divulgação. As notícias do “AnhangabaRoots” podem ser acompanhados por sua página no Facebook. O grupo também está organizando o 1º Ato de resistência com intervenções artísticas e Sound System para mostrar que a auto-gestão é possível, assim como a produção cultural de forma gratuita.

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