Plano Diretor continua empacado e MTST permanece acampado em frente à Câmara

O movimento afirma que a pressão vai aumentar enquanto o plano não for aprovado

Por Patricia Iglecio

Às 13h30 da tarde de ontem (24) começou a concentração do ato na Praça da República, aos poucos um aglomerado de pessoas se transformou em um grande grupo que reuniu 10 mil sem teto. Eles marcharam em direção à Câmara Municipal de São Paulo. O movimento protesta pela aprovação do Plano Diretor, que está travado há três meses.

Muitas cornetas faziam barulho na Avenida Ipiranga, as bandeiras foram erguidas para cima e quase todos os manifestantes estavam vestidos com camiseta vermelha. ‘Pisa ligeiro, quem não pode com a formiga, não atiça o formigueiro’, bradavam homens e mulheres com crianças de colo, jovens e idosos; todos cantando as mesmas palavras de ordem.

Às 15h os vereadores começaram a sessão para a votação do Plano. Ao redor da Câmara, foram estendidas bandeiras do MTST com a frase ‘Enquanto não votar, iremos aqui morar’. Rapidamente as grades da entrada principal da Câmara estavam tomadas por lonas, barracas e colchões.

Enquanto isso, no carro de som os coordenadores do movimento realizavam uma assembleia, instigando a luta e reafirmado que aquele era o lugar deles. Nesse momento, as cornetas pararam e os sem teto levantaram um fantoche do vereador Police Neto (PSD), que representa as empreiteiras e impede a votação do Plano, e prometeram queimá-lo ao final do ato.

De dentro do prédio, muitos olhavam, pelas janelas, o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo, um grupo menor se organizou para ocupar a saída do estacionamento da Casa, afirmando que nenhum vereador iria fugir da votação do Plano. De dentro da garagem, funcionários e políticos observavam assustados a movimentação. No momento em que, mesmo com o aglomerado do lado de fora, os que estavam dentro do prédio decidiram sair, as vaias e as cornetas ganharam intensidade.

No Viaduto do Jacareí, o grupo da bateria agitou uma roda de dança. Triângulos, tambores e uma garrafa de plástico colocada no centro. Alguns começaram a rebolar até o chão, outros a sambar e fazer bananeiras. Aos poucos, a batucada se transformou em uma grande festa. “Nós não vamos sair daqui enquanto esses políticos não aprovarem o Plano”, afirmou uma senhora enquanto dançava no ritmo do tambor.

Uma pequena comissão do MTST foi recebida para a sessão e mais uma vez o Plano não foi votado. Os poucos vereadores que estiveram presentes indicaram que o projeto será votado na próxima sexta-feira (27). Com isso, um grupo de 400 sem teto permaneceu em frente à Câmara debaixo das lonas.

O MTST protesta pela aprovação imediata do Plano com todas as emendas propostas pelos movimentos em favor da construção de moradia popular e pela garantia da transformação, em especial, das ocupações Vila Nova Palestina, Faixa de Gaza, Dona Deda e Capadocia em Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis).

Além disso, o movimento quer a aprovação do Projeto de Lei que transforma o terreno da ocupação Copa do Povo, na zona leste, em uma Zeis. Na semana passada a proposta foi excluída do Plano Diretor, no entanto, o coordenador Nacional do MTST, Guilherme Boulos, reafirmou a luta do movimento para que a área seja considerada uma zona especial, mesmo que a mudança não seja feita através do Plano.

(Fotos de Carolina Piai e Patricia Iglecio)

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