Da cor da pele aos dreads, Tinga luta contra o preconceito e pede politização no futebol

Por Pedro Rodrigues e Paulo Motoryn

Imagens e edição por Felipe Kfouri

 

Paulo César Tinga foi alvo de insultos racistas diversas vezes em sua carreira. No entanto, em fevereiro deste ano, as imitações de macaco por parte da torcida do Real Garcilaso, do Peru, sempre que Tinga tocava na bola, em partida em que ele defendia o Cruzeiro na Copa Libertadores, ganharam repercussão mundial. Da presidenta Dilma Rousseff ao ministro Joaquim Barbosa, das redes sociais às mesas de boteco, muitos saíram em defesa do jogador – que também reagiu.

Logo após o episódio, ainda na saída do gramado de um estádio que só lhe oferecera cenas tristes, Tinga teve o sangue frio de brindar os repórteres esbaforidos com uma resposta que poderia soar como clichê, mas é coisa rara no universo futebolístico: “Eu queria não ganhar todos os títulos da minha carreira e ganhar o título contra o preconceito, contra esses atos racistas. Trocaria por um mundo com igualdade entre todas as raças e classes”.

A Revista Vaidapé procurou Tinga para uma entrevista. Ao contrário do cerco que as assessorias de imprensa impõem aos jogadores, o contato foi bastante fácil. Principalmente quando o atleta do Cruzeiro entendeu que exploraríamos diversos assuntos, mas principalmente aqueles que extrapolam as quatro linhas. Ele se empolgou e não deixou de criticar a grande imprensa: “A mídia não valoriza o engajamento político e social dos atletas que tem esse perfil”.

Da Copa do Mundo às manifestações de rua, do capitalismo ao racismo, Tinga fugiu completamente do que se espera ouvir de um jogador de futebol. Inspirado em Doutor Sócrates, ele quer mais politização dos jogadores e vê responsabilidade tanto da mídia quanto dos próprios atletas na falta de um discurso político no mundo da bola. No vídeo, confira a entrevista completa e conheça o projeto “Chutando o Preconceito”, uma iniciativa do atleta em parceria com a Central Única de Favelas, do Rio Grande do Sul.
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4 responses to “Da cor da pele aos dreads, Tinga luta contra o preconceito e pede politização no futebol

  1. Pingback: Goleiro Aranha explica como o Rap o ajudou a enfrentar episódio de racismo | Revista Vaidapé·

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