Manifestantes são detidos pela PM em ato contra as prisões arbitrárias

Em mais uma demonstração de criminalização às manifestações populares, a polícia não deixou que o ato contra as prisões arbitrárias se movimentasse pela Av. Paulista

Por Vinicius Costa Martins

Quinta-feira, 5 da tarde, choque em peso, vão do MASP. O mote: libertação dos dois manifestantes que foram presos no último (11º) ato contra a Copa do Mundo na Av.Paulista, no dia 23 de junho, apenas três dias antes. O protesto reuniu pouco mais de 600 manifestantes e foi impedido de andar na avenida pela Polícia Militar.

O protesto contou com a presença de movimentos sociais como o Território Livre, Comitê Popular da Copa, CSP-Conlutas, Anel, e manifestantes autônomos. O ato teve uma organização horizontal, método utilizado desde as manifestações de junho do ano passado, e não pôde sair da frente do MASP por conta do fortificado bloqueio policial.

O tenente Pignatari, encarregado pela operação, enfatizou que a manifestação não poderia sair se não fosse apresentada uma liderança. Dito e feito, o batalhão do Choque fez mais um rolezinho ostentando seu aparelho repressivo: contingente desproporcional, carros-forte, helicóptero, armas e sacos de bombas, cavalaria, e, é claro, as novas armaduras “robocopa” sem identificação. Quem passasse por ali dificilmente não notaria o clima de intimidação criado pela polícia.

Em nome de manter a ordem eu posso evitar a quebra da ordem

Tenente Pignatari

Enquanto isso, os manifestantes entoavam gritos pela libertação dos presos políticos Fábio Hideki e Rafael Lusvarghi e aguardavam pela liberação da polícia para que o ato seguisse pela Paulista. Com início da concentração às 17:00, o ato seguiu por mais de três horas em frente ao museu sem poder sair do lugar, sempre cercados por camadas alternadas de robocops, carros-forte e a cavalaria. Perto das 21h, foi intimado a se dispersar e colocado à força de volta para o vão do museu.

Sem enfrentamento, o aparato policial se mostrou mais uma vez efetivo no endurecimento ao direito de manifestação e coibiu que qualquer tentativa de protesto ocorresse. Enquanto as manifestações seguem fortemente repreendidas, os manifestantes seguem presos em CDPs (Centro de Detenção Provisório) do Estado.

Segundo a polícia, Fábio Hideki e Rafael Lusvarghi foram detidos fora da manifestação “em flagrante”, cometendo crimes inafiançáveis como associação criminosa, porte de explosivos, porte ilegal de arma de fogo, incitação à violência, resistência e desobediência.

No momento da prisão de Fábio, nas escadarias do metrô Consolação, manifestantes filmaram a ação policial e mostraram que não havia sido achado nenhum possível artigo explosivo na apreensão. Também não há indícios que comprovem o seu envolvimento em depredações e incitação à violência, como alega a polícia. Fábio é funcionário da USP, integrante do conselho da base do sindicato dos trabalhadores da universidade e um dos representantes do comando da greve iniciada há um mês. Um ativista.

Já Rafael, foi detido perto de uma banca perto do metrô Consolação após ser repreendido por policiais civís à paisana por uma suposta tentativa de depredação. Ele já havia sido preso na manifestação da estréia da Copa, na zona leste, após resistir à voz de prisão dos policiais num ato que foi impedido pela PM de iniciar. Formado em jornalismo pela USP e professor de inglês, Rafael fala mais de cinco línguas e é ativista com atuação em vários países.

Ambos também estão sendo acusados de participar das depredações que ocorreram no último ato encabeçado pelo MPL (Movimento Passe Livre), em 19 de junho, e em outros protestos.

 

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