Tentativa da PM de impedir ato-debate evidencia estado de exceção

Governador de SP, no entanto, insiste em defender corporação e alega que corregedoria da PM é “rigorosa”

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     (Foto: Vinicius Costa Martins)

Por Patricia Iglecio

O ato-debate no último dia 1º, na praça Roosevelt, não fugiu à regra da repressão da Polícia Militar de SP. Enquanto cerca de 500 pessoas tentavam se reunir pela libertação do professor Rafael Marques Lusvarghi e do estudante e funcionário da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Hideki Harano, a tropa de choque exacerbava sua hostilidade. Mil policiais cercaram, com armas, cavalos e caminhões, a praça pública, cerceando o direito à liberdade de se reunir e se manifestar.

O debate também colocou em pauta a demissão arbitrária de 42 trabalhadores durante a greve dos metroviários, no mês passado, e outras repressões que configuram o estado de exceção que estamos vivendo. Com os cartazes ‘Ditadura, Não!’, ‘Libertem nosso presos’ e ‘Pela readmissão dos demitidos’, falas de militantes de movimentos sociais como MTST e MPL e de intelectuais, a reunião pretendia defender liberdades democráticas e em nenhum momento se propôs a marchar pelas ruas.

Durante o ato, a gravidade que atingiu a truculência da PM chegou a tal ponto que seis pessoas foram detidas sem que houvesse, da parte dos manifestantes, a menor tentativa de confronto com os policiais. Dois advogados ativistas, dois militantes do MPL, um artesão e um ativista foram presos. A linha foi a mesma adotada no ato do Sindicato dos metroviários, na estreia do mundial, na zona leste de São Paulo, que também não ousou confrontar o choque e mesmo assim foi duramente reprimido.

Desde o início da Copa, as tentativas de manifestação têm sido impedidas pela polícia em todos os estados brasileiros, em especial as que denunciam as injustiças do mundial em dias de jogos. Prisões, balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, número desproporcional de policiais; e a impunidade continua. Os detidos durante os protestos permanecem presos e nenhum policial é punido pelos excessos.

No entanto, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defende veemente a atuação da tropa de choque e ainda afirmou, nesta quarta-feira (2), que “a polícia tem uma corregedoria que é bastante rigorosa e as ações, na maioria desses casos, são filmadas”. A ironia das afirmações do governador pode ser conferida no vídeo que a nossa reportagem elaborou.

Apesar das inúmeras denuncias de entidades defensoras de direitos humanos sobre a truculência policial em SP, que ganhou notoriedade desde junho do ano passado e agora com a Copa do Mundo, a linha de atuação permanece a mesma. O Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo entrou, em abril, com uma ação na justiça pedindo a determinação de medida para coibir excessos policiais. O grupo Advogados ativistas, que atua na defesa ao direito a manifestação, tem acompanhando todos os últimos protestos.

É importante ressaltar que essa sempre foi à conduta da PM. Antes das jornadas de junho do ano passado, tentativas de manifestação já eram duramente reprimidas. O Movimento Passe Livre (MPL) organiza protestos há dez anos, desde 2012 eles vinham se intensificando e sempre acompanhados de truculência policial. Com a massificação dos atos no ano passado, parte da população passou a se indignar com a atuação da PM.

Mais crucial ainda é relembrar a violência policial contra a população nas periferias de São Paulo. De acordo com a Ouvidoria da Polícia Militar de SP, a corporação matou 36 pessoas apenas no mês de março desse ano. Esses homicídios, certamente, têm recorte social e vitimizam à população pobre. Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar!

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