Teve Copa, e agora?

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

Por Guilherme Almeida

Teve Copa, aliás, tá tendo ainda. O 7×1 não eliminou o Brasil da copa das copas, ainda tem a disputa de terceiro lugar. Vai ser massa. A seleção brasileira pode ser a terceira melhor de 32. Na pior das hipóteses será a quarta melhor. Tá bom, né? Parece que não.

O Brasil tem que ser o melhor no futebol. Em alguma coisa pelo menos. Nunca fomos potências mundiais – ser a quinta economia é pouco. Não entramos em guerras e mostramos nosso poder bélico – o que deveria ser uma qualidade. Não mandamos, somos mandados. Porra! às vezes cansa, sabia? quero mandar em alguém. Pelo menos no esporte a gente manda muito. Quer dizer… em uns esportes sim, em outros não.

No vôlei por exemplo: tanto a seleção masculina quanto a feminina são multicampeãs. Mas, vôlei não empolga, não é assunto para jornal todo dia. Sem contar que somos levados a pensar que é um esporte de segunda categoria desde os primeiros dias de educação física na escola. O futebol. Taí uma coisa pra gente ser melhor que os outros. Vamos sair dizendo que somos melhores. Não importa se é verdade ou mentira. Faz bem uma mentirinha de vez em quando.

Esquema tático

Vai pra cima seleção, a gente é foda! O Felipão foi com três atacantes contra a Alemanha. Afinal, quem é Alemanha? Sabe quem é o Felipão, né, o técnico? É um que tá sempre fazendo comercial. Vamos jogar com eles do mesmo jeito que jogamos com todo mundo. Do mesmo jeito que ganhamos do regular time da Croácia, empatamos com a boa seleção mexicana, passamos pelo Camarôes que é mais ou menos. Contra o Chile foi um sufoco, quase não deu. O Júlio César precisou salvar, se redimiu, nunca mais eu chamo ele de mão de alface. Pelo menos da Colômbia a gente ganhou com mais tranquilidade.

Pensando bem, talvez seja melhor rever esse esquema aí, ein Felipão. O time alemão ganhou dos times que a gente não conseguiu. Os caras são bons também. Ah, que nada, o Brasil é o melhor, qualquer zica o David Luiz segura na zaga. David Luiz você também conhece, tá sempre nos comerciais, aquele do cabelão. E daí que a gente perdeu o Neymar? Põe o Bernard, aquele que tem alegria nas pernas. Ele não faz tanto comercial porque é reserva. Para não dizer que o Felipão não fez nada, ele trocou o Hulk de lado. Aqueles alemães nem vão saber o que os atingiu. O Hulk eu não preciso nem explicar quem é, né, é aquele da bunda grande.

Jogo dos sete erros

O Brasil começou melhor, atacando, fazendo o que faz melhor. Chega dessa volantite aguda, tem que deixar os caras jogar pra gente poder jogar. 10 minutos do primeiro tempo: Ops! gol de escanteio acontece, não é um absurdo. Vamos lá Brasil, dá pra virar. 22 minutos do primeiro tempo: gol do Klose. Agora ele é o maior goleador da história das copas, passou o Ronaldo. Um que não gosta de hospital, sabe? É aquele que casou no castelo e divorciou dias depois, que era amigo da Dilma e agora fecha com o Aécio, num sabe? Aquele do medida certa! Então. 24 do primeiro tempo: gol do Kros. Espera aí, isso eu nunca vi. 25 minutos do primeiro tempo: outro gol do mesmo filhadaputa. Deu ruim… 29 do primeiro tempo: Gol. Ai já é sacanagem. Tá bom, eu assumo, talvez a Alemanha seja um pouco melhor.

No segundo tempo o time vai voltar diferente, certeza. Não foi bem assim. Um volante pelo outro e uma recuada no ataque. 23 minutos do segundo tempo: o hexa… e em casa. 33 minutos do segundo tempo: nem a piadinha do hexa dá pra usar mais. Faz alguma coisa, se joga na área. Merda, esse árbitro não é japonês, ele num cai nessa.

O Felipão esperou a torcida xingar o Fred para tirá-lo de campo. Coitado. O atacante que não faz gol. Não é a toa, a bola não chega nele. O Oscar fez o de honra. Uma jogada meio estranha. Ligação direta da zaga para o ataque. Teve que ser assim, o meio campo era todo deles.

De volta ao raciocínio 

Não, não somos os melhores. Somos, bons sim, não tenha dúvida. O Brasil teria mais chance de ganhar se tivesse reconhecido as qualidades do adversário e principalmente suas limitações. Acho que isso se aplica para tudo. O Brasil seria um país melhor se focasse energia em seus problemas ao invés de potencializar artificialmente suas supostas qualidades. A seleção é o de menos: alguém vai levar a culpa pela derrota, igual aconteceu com o Felipe Melo ou com o Roberto Carlo, e depois tudo volta ao normal.

Enquanto tem Copa muita coisa fica diferente no Brasil: agora não pode mais se manifestar sem lideranças no ato, agora tudo está mais caro, agora não existe mais aquele bloco que o Jornal Nacional fala do Joaquim Barbosa por 10 minutos consecutivos, isso só pra citar alguns exemplos. Meu medo são as coisas que vão continuar diferentes.

Em nome do bom funcionamento da Copa a polícia tocou o terror nas ruas das cidades sede. Isso não vai embora com a FIFA. As táticas de guerra para “manter a ordem” ficam aqui. Pode até ser que a PM não tenha mais que jogar suas bombas nas fan fests, como fez em Recife, ou em torcedores de classe alta, como fez na Vila Madalena, em São Paulo. Mas o simples fato de que ela fez isso e ninguém reclamou já é o suficiente. Repressão, esse é o legado da Copa.

Pra mim a imagem dessa Copa que ficará eternizada na memória veio da arquibancada. Depois do quarto gol a transmissão mostrou um menino de uns dez anos aos prantos com a boca dentro de um copo de coca-cola.

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